Kael saiu da sala de reuniões sem dar qualquer explicação.
Os conselheiros trocaram olhares confusos.
Ninguém ousou impedi-lo.
Se o Alfa encerrava uma reunião daquela importância, era porque havia um motivo maior.
Muito maior.
Assim que entrou no elevador, pegou o celular novamente.
A mensagem continuava na tela.
Nós a encontramos.
Respirou fundo e ligou para o homem que a havia enviado.
A ligação foi atendida no primeiro toque.
— Alfa.
— Ela está viva?
Do outro lado da linha houve alguns segundos de silêncio.
— Sim.
Kael fechou os olhos.
Por oito anos ele imaginou aquele momento.
Mas, agora que finalmente acontecia, não sabia o que sentir.
— Ela está machucada?
— Encontramos alguns ferimentos. Parece desnutrida e muito cansada. Mas está consciente.
— Estou chegando.
Ele desligou sem dizer mais nada.
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Quarenta minutos depois, a SUV preta entrou em um antigo depósito na divisa do território Draven.
Quatro homens aguardavam sua chegada.
Quando Kael desceu do carro, um deles abriu a porta de uma sala improvisada.
Ela estava sentada em uma cadeira.
Os cabelos loiros caíam sobre o rosto.
As roupas estavam sujas.
As mãos tremiam.
Ao ouvir os passos, levantou a cabeça devagar.
Os olhos azuis se encheram de lágrimas.
— Kael...
Ele parou por um instante.
Era impossível não reconhecer aquele olhar.
Oito anos haviam passado.
Mesmo assim...
Era ela.
Selene.
Ela tentou levantar, mas perdeu o equilíbrio.
Kael correu e a segurou antes que caísse.
— Calma.
Você não precisa fazer esforço.
Selene segurou o braço dele como se tivesse medo de que ele desaparecesse.
— Achei... que nunca mais fosse te ver.
A voz saiu fraca.
Quase um sussurro.
Kael engoliu em seco.
Durante anos acreditou que tinha falhado com ela.
Que a promessa feita na adolescência havia sido quebrada.
Naquele momento, toda aquela culpa voltou de uma vez.
— Você está segura agora.
Ela começou a chorar.
Escondeu o rosto no peito dele.
Os homens ao redor abaixaram a cabeça, dando privacidade aos dois.
— Me leva para casa... por favor...
Kael olhou para um de seus seguranças.
— Chamem o Liam. Quero que ele vá imediatamente para a cobertura.
— Sim, Alfa.
Sem pensar duas vezes, ele pegou Selene nos braços.
Ela era muito mais leve do que lembrava.
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Enquanto isso...
Elena terminava de organizar a mesa.
As velas já estavam acesas.
O jantar estava pronto.
Ela colocou o relógio, já embrulhado, ao lado do prato de Kael.
Sorriu.
— Espero que você goste...
Depois abriu a bolsa.
Retirou uma pequena caixa de veludo.
Dessa vez, não havia um relógio.
Dentro dela estava um sapatinho branco, tão pequeno que cabia na palma da mão.
Embaixo dele, dobrado com cuidado, estava o exame que confirmava a gravidez.
Elena passou o dedo delicadamente sobre o sapatinho.
Seu coração acelerou.
Tentou imaginar a reação de Kael.
Será que ele sorriria?
Será que finalmente a abraçaria?
Será que aquele bebê faria com que eles deixassem de ser apenas duas pessoas unidas pelo destino e se tornassem, enfim, uma família?
Ela fechou a caixa rapidamente.
Não queria estragar a surpresa.
Escondeu-a novamente na bolsa.
Ainda não.
Daqui a pouco.
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Seu celular marcou 19h58.
Ela respirou fundo.
Faltavam apenas dois minutos.
Olhou pela enorme janela da cobertura.
As luzes da cidade brilhavam lá embaixo.
Então...
O som de motores ecoou do lado de fora.
Ela sorriu automaticamente.
— Ele chegou.
Sem conseguir esconder a animação, caminhou quase correndo até o hall de entrada.
Os funcionários abriram espaço.
Todos conheciam aquela data.
As portas de vidro começaram a se abrir.
Uma SUV preta entrou na garagem.
Depois outra.
E mais uma.
Elena respirou fundo.
Ajeitou o vestido.
Passou a mão pelos cabelos.
Aquela seria a noite em que sua vida mudaria para sempre.
Ela só não imaginava...
Que não seria da maneira que sonhou.