“A dor não nos define. Mas a forma como escolhemos atravessá-la, sim.”
Depois do banho, o cheiro de grelhado capturou a atenção de Helena. O apetite começava a dar sinais de retorno. Quando se sentaram à mesa — agora com uma cadeira a mais para que coubessem os cinco — encontraram, além de uma travessa de peixe perfeitamente dourado, outra generosa de salada, colorida e convidativa.
— Preparei algo leve, pensando em você — disse Marcelo, lançando-lhe um olhar atento.
Helena sorriu, sincera.
— Está com uma cara ótima.
Começaram a comer, mas não demorou para que Helena percebesse algo fora do lugar. Lívia estava quieta demais.
— Desembucha — ordenou, sem rodeios.
Lívia engasgou com a comida, tossindo enquanto Marcelo lhe estendia um copo d’água.
— Por que você acha que eu tenho algo pra falar? — perguntou, fingindo inocência.
— Talvez porque eu te conheça?
— Essa sua mania de ler a gente às vezes é irritante, sabia?
— Anda logo.
Lívia suspirou, vencida.
— Tá. Eu só não queria te estress