CELINA MARTINI NARRANDO.
ITÁLIA.
A fome é um buraco negro. Ela corrói, devora por dentro, deixando uma dor aguda que não se compara a qualquer outra. Faz dias que não consigo comer, e cada minuto que passa parece esticar o tempo, transformando horas em eternidades. Estou em cima da cadeira de rodas, a mesma cadeira que se tornou uma extensão de mim, mas hoje parece mais um fardo do que nunca. As ruas são implacáveis, e aqui, a dor é constante, mas a fome... a fome é o que mais me destrói.
Eu