Ele se virou e começou a caminhar na minha direção. Instintivamente, dei um passo para trás. Ele deu outro à frente. Eu recuei mais. Em três passos, minhas costas encontraram a porta fria. Não havia mais para onde ir.
Ele parou a poucos centímetros.
Não me tocou, mas seu corpo pairou sobre o meu, bloqueando a luz, o ar, a razão. Seu perfume, mais intenso de perto, me envolveu. Era caro, complexo, viciante.
Ele cheira muito bem. Porque ele tem que cheirar tão bem?
É mesmo, ele é dono de uma empresa de cosméticos. Com certeza tem um perfume só dele.
Ergui o rosto, ajeitando os óculos num movimento nervoso.
Ele estava muito perto. Porque ele está tão perto?
E, Deus me perdoe, ele era ainda mais lindo de perto. A raiva dava um brilho perigoso aos seus olhos e a linha da mandíbula estava tensa. Era uma beleza afiada, que cortava.
— Eu não gosto de voltar atrás com a minha palavra. — ele falou com a voz baixa, quase um sussurro áspero. — E gosto ainda menos do motivo pelo qual tenho q