À procura de Darcy

Capítulo 5

Durante os quatro dias seguintes, Gabriele tentou convencer-se de que não estava procurando o homem do baile.

Tentou.

Na terça-feira, telefonou para o hotel e perguntou sobre o pingente.

Nenhum objeto com aquela descrição fora entregue.

Na quarta, pesquisou as fotografias publicadas nas redes sociais da agência.

Encontrou máscaras, vestidos, taças e celebridades.

Nenhuma imagem clara do desconhecido.

Na quinta, abriu o caderno Cartas para Darcy e escreveu três páginas sobre um homem que definitivamente não pretendia encontrar.

Na sexta, rendeu-se.

— Preciso da lista de convidados do baile — anunciou na copa.

Caio quase derrubou o café.

— Para quê?

— Uma pesquisa.

Júlia fechou a geladeira.

— Sobre o quê?

— Perfil de público.

— Da campanha de qual cliente?

Gabriele hesitou.

— De um projeto pessoal.

Caio sorriu.

— Ela está procurando o homem.

— Que homem? — perguntou Júlia.

— Nenhum.

— O homem da máscara — completou Caio.

Gabriele o encarou.

— Como sabe?

— Você ficou três dias ampliando fotografias do baile.

— Eu estava procurando meu pingente.

— E analisando sapatos.

Júlia se aproximou.

— Conte tudo.

— Não há nada para contar.

— Um homem a beijou — revelou Caio.

Gabriele abriu a boca.

— Você ouviu minha conversa com Maya?

— Você falou no telefone ao lado da impressora.

— Isso era particular.

— A impressora não tem privacidade.

Júlia segurou o braço de Gabriele.

— Ele era bonito?

— Usava máscara.

— Beijava bem?

— Isso não importa.

— Então sim — concluiu Caio.

Gabriele soltou um suspiro.

— Ele me confundiu com outra mulher.

Júlia parou de sorrir.

— Isso é menos romântico.

— Exatamente.

— Mas você quer encontrá-lo.

— Quero recuperar meu pingente.

Caio cruzou os braços.

— Apenas o pingente?

Gabriele desviou o olhar.

Talvez quisesse descobrir o rosto dele.

Talvez quisesse perguntar se aquele beijo significara alguma coisa, mesmo tendo começado por engano.

Ou talvez desejasse saber por que ainda pensava nele.

— Preciso da lista — repetiu.

Júlia voltou à mesa.

— A lista oficial é confidencial. Tinha clientes, investidores, políticos e alguns artistas.

— Então não há como conseguir?

Caio olhou ao redor.

— Talvez exista uma cópia usada pela equipe da recepção.

— Caio — advertiu Júlia.

— Estou apenas considerando possibilidades.

— Você pode ser demitido.

— Também posso ser promovido por iniciativa.

Gabriele se aproximou.

— Só preciso dos homens.

— Todos? — perguntou Júlia.

— Altos, com barba e que usavam máscara preta.

Caio fez uma anotação imaginária.

— Reduzimos de quatrocentos para cento e oitenta.

— Ele também usava sapatos marrons.

Júlia a encarou.

— Você realmente reparou nos sapatos.

— Tenho memória fotográfica.

— E não lembra do rosto?

— A máscara cobria quase tudo.

Caio abriu uma pasta no computador.

— Precisamos dar um nome para a operação.

— Ela já deu — disse Gabriele sem pensar.

Os dois olharam para ela.

— Qual? — perguntou Júlia.

Gabriele sentiu o rosto esquentar.

— Darcy.

Caio franziu a testa.

— Quem é Darcy?

Júlia lançou-lhe um olhar decepcionado.

— O senhor Darcy, de Orgulho e Preconceito.

— Nunca li.

— Isso explica por que seus relacionamentos duram quinze dias.

Gabriele sorriu.

— Ele parecia arrogante. Misterioso. E talvez eu o tenha julgado sem conhecer.

— Então você o chama de Darcy — disse Júlia.

— Apenas no meu caderno.

— Existe um caderno?

— Não vamos falar sobre isso.

Caio apoiou os braços no balcão.

— Operação Darcy oficialmente iniciada.

— Não existe operação nenhuma.

Uma voz masculina surgiu atrás deles.

— Que operação?

Os três congelaram.

Teodoro estava parado à porta da copa.

Usava uma camiseta preta sob o paletó, calça escura e sapatos pretos.

Gabriele olhou automaticamente para os pés dele.

Ele percebeu.

— Algum problema com meus sapatos?

— Nenhum.

— Então por que está olhando?

— Estava verificando se estavam limpos.

— E estão?

— Razoavelmente.

Caio abaixou a cabeça para esconder o riso.

Teodoro entrou.

— O que é a Operação Darcy?

— Um projeto pessoal — respondeu Gabriele.

— De quem?

— Meu.

— Relacionado à agência?

— Não.

— Então talvez não devessem discuti-lo durante o expediente.

Júlia recolheu o copo.

— Eu preciso voltar.

Caio apontou para o corredor.

— Eu também.

— Vocês são covardes — murmurou Gabriele.

Os dois saíram, deixando-a sozinha com Teodoro.

Ele se aproximou do balcão.

— Darcy é uma pessoa?

— Um personagem.

— De livro?

— Sim.

— E por que precisa de uma lista de convidados para encontrar um personagem?

Gabriele sentiu o estômago apertar.

— Eu não preciso.

— Estava falando sobre homens altos, com barba e sapatos marrons.

— Você ouviu há quanto tempo?

— O suficiente.

Ele passou a mão pela própria barba.

— Sou alto.

— Muitas pessoas são.

— Tenho barba.

— Muitas pessoas também têm.

— E possuo sapatos marrons.

O coração de Gabriele bateu mais forte.

— Não é você.

Teodoro arqueou uma sobrancelha.

— Como pode ter tanta certeza?

— Porque você não estava no baile.

Ele permaneceu em silêncio.

— E se eu estivesse?

— Seu nome não aparecia nas fotos nem nas listas publicadas.

— Eu era o anfitrião. Não precisava estar na lista de convidados.

Gabriele tentou manter a expressão neutra.

— Usava máscara preta?

Um sorriso lento surgiu no rosto dele.

— Está me investigando?

— Estou fazendo perguntas.

— Bastante específicas.

— Você conhecia todos os convidados?

— Não.

— Viu algum homem alto, com barba e sapatos marrons?

Teodoro quase riu da ironia.

— Talvez.

Ela se aproximou.

— Quem?

— Não lembro.

— Você dirige uma agência e não observa detalhes?

— Observo o que considero importante.

— Isso não ajuda.

Teodoro pegou uma xícara.

— Quem é esse homem?

— Ninguém.

— Você o chama de Darcy.

— É apenas um apelido.

— Por quê?

Gabriele hesitou.

— Porque ele parecia arrogante.

— Uma qualidade encantadora.

— E misterioso.

— Melhorou um pouco.

— No livro, Elizabeth acredita que Darcy é uma pessoa antes de conhecê-lo verdadeiramente.

— E depois se apaixona por ele.

O rosto dela aqueceu.

— Não significa que eu esteja apaixonada.

— Está procurando um desconhecido em uma lista de convidados.

— Quero recuperar uma coisa que perdi.

Teodoro ficou atento.

— O quê?

Gabriele quase contou sobre o pingente.

Mas algo a impediu.

Talvez o medo de parecer sentimental.

Talvez a impressão de que, ao falar sobre a joia, entregaria também tudo o que sentira naquela noite.

— Nada importante.

Teodoro pensou no pequeno livro dourado guardado em sua gaveta.

— Talvez quem encontrou tenha considerado importante.

Ela ergueu os olhos.

Por um instante, o modo como ele disse aquilo pareceu significativo.

— Sabe de alguma coisa?

— Apenas uma possibilidade.

— Qual?

— Algumas pessoas guardam objetos porque esperam que os donos voltem para procurá-los.

O coração de Gabriele acelerou.

Antes que pudesse fazer outra pergunta, Mateus apareceu à porta.

— Teodoro, a diretoria está esperando.

O olhar azul de Mateus passou de um para o outro.

— Interrompi?

— Não — respondeu Gabriele depressa.

Teodoro colocou a xícara sobre o balcão.

— Ela está procurando Darcy.

Mateus pareceu confuso.

— Quem?

— É o que todos querem descobrir.

Teodoro saiu da copa.

Mateus permaneceu por um instante.

— Meu irmão costuma deixar as pessoas desconfortáveis.

— Estou começando a perceber.

— Não leve para o lado pessoal.

A voz dele era educada e tranquila.

Diferente das provocações de Teodoro.

— Izadora fala muito bem de você — continuou Mateus.

— Espero que apenas coisas boas.

— Ela disse que sua memória é impressionante.

— Às vezes.

Mateus observou-a com interesse.

— Talvez possa me ajudar com alguns documentos na próxima semana.

— Claro.

— Nada complicado. Apenas comparar datas e assinaturas.

Gabriele sorriu.

— Posso fazer isso.

— Obrigado.

Mateus saiu.

Ela voltou a olhar para o corredor por onde Teodoro desaparecera.

A voz dele.

A altura.

A barba.

A máscara preta.

E a frase estranha sobre objetos guardados.

Gabriele abriu o celular e acrescentou um novo nome às anotações da Operação Darcy:

Teodoro Braga.

Ficou olhando para as palavras.

Depois as apagou.

— Impossível — murmurou.

No andar superior, Teodoro abriu a gaveta de sua mesa.

O pingente em formato de livro permanecia ali.

Ele o segurou entre os dedos.

A fragrância já não estava na joia, mas a lembrança do perfume voltou quando pensou em Gabriele.

Delicado.

Adocicado.

Familiar.

Teodoro fechou a mão.

A possibilidade era absurda.

A mulher da máscara fora silenciosa.

Gabriele Almeida parecia incapaz de permanecer calada por mais de um minuto.

Ainda assim, naquela tarde, pela primeira vez, ele escreveu o nome dela em um papel ao lado da descrição da desconhecida.

Depois dobrou a folha e guardou junto ao pingente.

Nenhum dos dois sabia que procurava a mesma pessoa.

E que a primeira pista verdadeira já estava entre eles.

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