Um nome fora da lista

Capítulo 6

Caio conseguiu a lista na segunda-feira seguinte.

Não a lista completa, como Gabriele esperava, mas três páginas amassadas que haviam sido usadas pela equipe de recepção durante o baile.

Ele depositou os papéis sobre a mesa dela como quem entregava documentos confidenciais de uma investigação policial.

— Se alguém perguntar, isso nunca esteve comigo.

Gabriele olhou para as folhas.

— Você acabou de me entregar na frente de cinco pessoas.

Caio puxou uma cadeira e sentou-se ao lado dela.

— Então essas cinco pessoas também nunca me viram.

Júlia aproximou-se carregando uma pasta.

— Eu ainda acho que isso vai terminar com nós três demitidos.

— Não vamos fazer nada errado — garantiu Gabriele.

— Estamos usando uma lista confidencial da agência para encontrar um homem que beijou você em uma varanda.

— Quando fala dessa maneira, parece inadequado.

— Porque é inadequado.

Caio apontou para os nomes.

— A lista está incompleta. Tem apenas convidados externos. Funcionários, fornecedores e integrantes da diretoria não aparecem.

Gabriele sentiu uma pequena decepção.

— Então ele pode não estar aqui.

— Pode ser qualquer pessoa — disse Júlia. — Um convidado, um fotógrafo, um garçom, alguém da produção...

— Ele não era garçom.

— Como sabe?

— O terno.

Caio arqueou uma sobrancelha.

— Existem garçons muito elegantes.

— E os sapatos.

— Voltamos aos sapatos.

Gabriele ignorou o comentário e começou a examinar os nomes.

Sua memória visual transformava cada fotografia encontrada em uma sequência de detalhes. Ela pesquisava o nome, localizava uma imagem e eliminava os homens que não combinavam com o que lembrava.

Muito baixos.

Sem barba.

Cabelos completamente grisalhos.

Idade avançada demais.

Casados com mulheres que não se pareciam em nada com a desconhecida de vestido vermelho.

Duas horas depois, havia reduzido cento e vinte e sete nomes para trinta e quatro.

— Isso é assustadoramente eficiente — comentou Júlia.

— Eu disse que tenho boa memória.

— Boa memória seria lembrar onde deixou sua caneca — observou Caio.

Gabriele olhou ao redor.

— Onde está minha caneca?

Júlia apontou para a mão dela.

— Certo.

Caio se levantou e caminhou até o quadro branco da equipe.

No topo, escreveu:

"OPERAÇÃO DARCY"

Abaixo, traçou três colunas:

**Nome. Evidências. Motivo da eliminação.**

— Isso não pode ficar aí — protestou Gabriele.

— Toda investigação precisa de organização.

— Tire antes que alguém veja.

— Quem poderia ver?

— Eu, por exemplo.

A voz de Teodoro surgiu atrás deles.

Caio congelou com o marcador na mão.

Gabriele fechou os olhos por um instante.

Teodoro estava parado junto às mesas. Usava calça escura, camisa cinza com as mangas dobradas e uma expressão divertida demais para alguém que acabara de encontrar três funcionários investigando um homem durante o expediente.

Ele leu o quadro.

— Operação Darcy.

Caio soltou o marcador.

— É uma campanha.

— Para qual cliente?

— Ainda não existe cliente.

— Uma campanha preventiva?

Júlia recolheu a pasta.

— Vou levar isso ao atendimento.

— Você trabalha no atendimento — lembrou Gabriele.

— Exatamente.

Ela saiu.

Caio tentou acompanhá-la, mas Teodoro segurou seu ombro.

— Você fica.

— Eu me sinto mais produtivo em movimento.

— Sente-se.

Caio voltou à cadeira.

Teodoro olhou para as folhas sobre a mesa de Gabriele.

— Então conseguiu a lista.

Ela cobriu os nomes com as mãos.

— Uma parte.

— E pretende investigar cada convidado?

— Só os que combinam com a descrição.

— Alto, barba, máscara preta e sapatos marrons.

Gabriele estreitou os olhos.

— Você lembra de tudo o que ouve?

— Quando acho interessante.

— Então talvez possa ajudar.

Teodoro puxou uma cadeira.

— Eu?

— Você estava no baile.

— Estava.

— Conhece muitos convidados.

— Alguns.

Ela virou a lista em sua direção.

— Algum desses homens chegou acompanhado de uma mulher de vestido vermelho e máscara prateada?

Teodoro percorreu os nomes sem realmente enxergá-los.

Gabriele estava procurando por ele.

A situação deveria diverti-lo.

Em vez disso, provocava uma inquietação que não conseguia explicar.

— Muitas mulheres usavam vermelho — respondeu.

— Não tantas com máscara prateada.

— Lembra dela com mais clareza do que dele?

— Ela interrompeu o beijo.

Caio voltou-se rapidamente.

— Essa informação é nova.

Gabriele percebeu o que dissera.

— Você já sabia que houve um beijo.

— Não sabia que houve interrupção.

Teodoro apoiou o cotovelo na mesa.

— O homem estava acompanhado?

— Aparentemente.

— E mesmo assim quer encontrá-lo?

A pergunta carregava uma crítica discreta.

— Quero encontrar meu pingente.

— Apenas isso?

— E uma explicação.

— Talvez ele apenas a tenha confundido.

— Ele me confundiu.

— Então já tem sua explicação.

Gabriele fechou a lista.

— Não estava lá. Não sabe como aconteceu.

Teodoro sustentou o olhar dela.

— Tem razão.

O tom mudou.

Por um segundo, parecia que ele sabia exatamente como havia acontecido.

Caio percebeu a tensão e se levantou.

— Vou conferir se a Júlia chegou ao atendimento.

— Você sabe onde fica — disse Gabriele.

— Quero ter certeza de que não mudaram a sala.

Ele saiu.

Teodoro pegou uma das folhas.

— Meu nome não está aqui.

— Eu percebi.

— Está decepcionada?

— Por quê?

— Na sexta-feira, parecia considerar a possibilidade de eu ser seu Darcy.

— Não considero mais.

Aquilo o incomodou mais do que deveria.

— Descobriu alguma prova contra mim?

— Você usava sapatos pretos no dia do baile?

Teodoro lembrou-se dos sapatos marrons ainda guardados em seu apartamento.

— Talvez.

— Não sabe o que usou?

— Não tenho memória fotográfica.

— Também não reconheci sua voz.

— Você falou bastante com ele?

Gabriele corou.

— O suficiente.

Teodoro conteve um sorriso.

— E o perfume?

— O que tem?

— Talvez pudesse reconhecê-lo.

Ela se lembrou do aroma amadeirado do desconhecido.

No primeiro dia, Teodoro usava uma fragrância diferente. Mais fresca. Naquele momento, o cheiro também não era o mesmo.

— Não é igual ao seu.

— Então estou eliminado.

— Está.

Ele colocou a folha sobre a mesa.

— Que pena.

— Por que continua dizendo isso?

Teodoro inclinou-se.

— Porque esse homem está recebendo muita atenção sem fazer esforço algum.

O coração de Gabriele acelerou.

— Está com ciúmes de um desconhecido?

— Estou curioso.

— Não parece.

— E como parece?

Ela não encontrou resposta.

Teodoro se levantou.

Antes de sair, apagou o nome **Darcy** do quadro com a mão.

— Trabalhem na campanha de verdade.

Caio voltou assim que o CEO desapareceu.

Olhou para o quadro.

— Ele apagou o nome.

— Eu vi.

— Está com ciúmes.

— Não está.

— Está com muito ciúme.

Gabriele voltou para a lista.

Mas, pela primeira vez, não conseguiu se concentrar nos nomes.

No andar superior, Teodoro entrou em sua sala e abriu a gaveta.

Retirou o pingente em formato de livro.

A dona estava a poucos metros dele.

Ainda assim, não tinha certeza.

Gabriele usava um perfume semelhante ao da mulher da máscara, mas nunca completamente igual. Talvez porque a fragrância se misturasse aos produtos do escritório. Talvez porque sua memória estivesse transformando uma coincidência em resposta.

Ou talvez porque, pela primeira vez em muito tempo, ele quisesse que duas mulheres fossem a mesma pessoa.

O celular vibrou.

Uma mensagem de Lavínia apareceu na tela.

*Estou em São Paulo. Jantar hoje?*

Teodoro olhou novamente para o pingente.

Depois respondeu:

*Às oito.*

Talvez Lavínia pudesse ajudá-lo a esquecer aquela busca absurda.

Ou a compreender por que não queria esquecê-la.

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