Mundo de ficçãoIniciar sessão
Sarah narrando:
Meu nome é Sarah Carter e essa é a minha história. Eu vivia em Fairhaven. Uma cidade que parecia ter parado no tempo, com ruas arborizadas, casas antigas de madeira e uma rua principal pequena, onde todo mundo se conhecia. A cidade ficava logo na saída da rodovia interestadual I-80, no estado do Missouri. Era o tipo de lugar onde todo mundo se conhece… e onde os segredos raramente ficam escondidos por muito tempo. Sou órfã. Fui criada pela minha tia, que também já faleceu. Depois que ela morreu, fiquei sozinha no mundo… até conhecer Robert. Eu trabalhava na loja de conveniência do posto de gasolina da cidade, e foi lá que conheci meu noivo. Robert não é belo, mas tem um coração enorme e uma presença que impõe respeito. Ele é advogado e trabalha na prefeitura, é o braço direito do prefeito. Começamos a namorar e logo ficamos noivos. Fui morar com Robert na fazenda de sua família. Sou muito grata por terem me acolhido. Agora vamos nos casar para formalizar nossa união e dar uma satisfação para a sociedade. Naquele dia o calor parecia maior que o normal. O sol castigava o asfalto e o ar quente tremia sobre a estrada. Eu estava dirigindo de volta para a fazenda quando meu carro decidiu simplesmente parar de funcionar. Suspirei frustrada ao encostar no acostamento. Dentro do carro o calor parecia ainda mais intenso. Resolvi descer. Peguei meu celular que estava descarregado. Minha única chance era alguém passar pela estrada. Faltavam poucas milhas para chegar. Então ouvi o ronco de motores. Não apenas um. Quatro motos. Uma gangue de motoqueiros me cercou. Começaram com comentários, risadas, olhares invasivos. Senti o perigo imediatamente. Eles não estavam ali para me ajudar. Estavam ali para me fazer mal. Meu coração disparou. Foi quando uma carreta surgiu na estrada. Enorme. Imponente. Parou poucos metros atrás. O motorista desceu. Eu só consegui vê-lo da cintura para baixo. O sol batia diretamente nos meus olhos, me cegando. — O que está havendo aqui? — disse ele com uma voz rouca e firme. — Nada que você possa se meter — respondeu um dos rapazes. — Por favor, me ajude! — supliquei. O motorista engatilhou um rifle. — Acho bom vocês saírem daqui. Agora. Os motoqueiros se entreolharam. Subiram nas motos e foram embora. O líder ainda cuspiu no chão antes de acelerar. Minhas pernas cederam. Caí no chão, exausta. Ele se aproximou. — Você está bem? — Sim… você me salvou. Sem pensar, abracei seu pescoço. Ele ficou sem reação por um instante. Senti o cheiro dele. Amadeirado, com fumaça e estrada. — A propósito, meu nome é John. — Eu sou Sarah. — O que houve com seu carro? — Não sei… só parou. — Deixa eu dar uma olhada. John foi até o carro e abriu o capô. Eu o observava. Os cabelos loiros bagunçados pelo vento. As mãos grandes trabalhando no motor. Os olhos verdes intensos. Quando ele tirou a camiseta por causa do calor, vi o peitoral definido e os braços fortes. Meu coração acelerou. John conseguiu fazer o carro funcionar. — Nossa, foi rapidinho — eu disse. Ele riu. — Rapidinho? Ficamos aqui quase duas horas. — Como posso te agradecer? Por um segundo imaginei nós dois nos beijando. — Sarah… Sarah… Eu pisquei, voltando à realidade. — Oi. — Você está bem? Tem certeza que consegue dirigir até a cidade? — Sim, consigo. — Não deixe de levar o carro a uma oficina. — Pode deixar. — Então até algum dia. Se cuide. Ele subiu na carreta. Quando passou por mim, buzinou. Fiquei parada, perplexa. Meu coração ainda acelerado. Minhas mãos tremendo. Não era medo. Era outra coisa. Segui para a cidade. Deixei o carro na oficina e depois passei na loja do posto para conversar com minha amiga Nataly. Contei tudo que me aconteceu para ela. — Uau — ela disse — a chance de você ver esse cara de novo é uma em um milhão. — Eu sei. Então é melhor eu colocar os pés no chão e focar no casamento. Nos despedimos. Depois fui até a prefeitura. Robert me recebeu com carinho, como sempre. — Claro que podemos ir para casa juntos — ele disse — Mamãe ligou. Disse que tem uma surpresa. Sorri, imaginando algo relacionado ao casamento. Entramos no carro. Mas por mais que eu tentasse, não conseguia parar de pensar no caminhoneiro. Eu olhava as mãos de Robert no volante… e lembrava das mãos de John. Quando avistamos a fazenda, vi uma carreta parada em frente à propriedade. Meu coração disparou. Não podia ser. Robert estacionou e me puxou pela mão. — Venha, tenho que te apresentar a ele. Subimos a varanda. A porta se abriu. Robert abraçou o homem. — Até que enfim você apareceu! — Eu tinha que vir antes que você fizesse besteira e se casasse, maninho. Meu coração parou. Robert me puxou. — John, essa é a Sarah. Minha noiva. O mundo girou. Era ele. O caminhoneiro. O homem que havia me salvado. O homem em cujos braços eu estive horas antes. John me encarava sem sorrir. Apenas me devorava com os olhos, reconhecendo cada detalhe. Ele estendeu a mão. — Sarah… prazer em conhecer a mulher que domou meu irmão. Quando nossos dedos se tocaram, um choque percorreu meu corpo. Ele apertou minha mão um segundo a mais do que deveria. Eu tentei respirar. — Prazer… John. E naquele momento eu tive certeza. Minha vida acabava de se complicar.






