A dor da saudade

Izabel e William, haviam entrado na casa para descansar um pouco. Eu continuei me divertindo com Henrique, ele me fazia gargalhar, eu me sentia tão bem perto dele...

E em meio as bebedeiras, eu criei coragem e pedi um beijo.

Óbvio que ele me olhou desconcertado, riu sem jeito, coçou o cenho, depois me repreendeu dizendo que ele era o meu professor.

Eu estava meio bêbada e fiquei triste com sua resposta, mas depois ele levantou o meu rosto.

Segurou o meu queixo com firmeza, pediu para chama-lo de professor.

Eu balancei a cabeça negando, disse que eu não queria que ele se afastasse de mim.

Ele insistiu novamente e pediu para chama-lo de professor, Então eu falei.

- Professor Henrique eu te quero. - Eu me lembro todos os dias dessa minha resposta. Sua reação foi imediata, me beijou com tanta vontade, ele tinha uma pegada indescritível, se eu fechar os olhos, ainda posso sentir o sabor da sua língua, quente, delicioso e firme. Eu me apaixonei e foi muito intenso. Mas não foi verdadeiro... Eu estava iludida, era apenas uma garota que não conhecia nada da vida. Só pensava que Henrique poderia me amar da mesma intensidade que William e Izabel se amavam, eu admirava eles dois como um casal romântico.

Eu era romântica, fantasiava um monte de cenas de amor em minha cabeça. Mas foi necessário passar por tudo aquilo, para eu amadurecer, eu perdi minha virgindade com ele, só de lembrar, fecho os olhos e sinto um arrepio, não de frio, mas sim de saudade.

Ele foi tão romântico e carinhoso o tempo todo, parecia tão real o sentimento dele... Me lembro que em meio aos beijos, ele se declarava, dizia que me amava antes mesmo de penetrar em mim.

Ele me beijava, acariciava meu rosto, e os meus cabelos, enquanto fazíamos amor naquele quarto, e fizemos amor a noite toda.

Só paramos quando amanheceu e ele havia gozado dentro algumas vezes naquela noite.

O tranquilizei dizendo que tomaria a pílula do dia seguinte que ele comprara para mim.

Eu tomei, dias depois, magicamente depois que ele tirou minha virgindade, ele mandou uma mensagem de texto frio, dizendo que sairia da Cidade sem previsão para voltar.

Henrique partiu o meu coração e depois daquele dia eu não consegui acreditar mais no amor, fiquei sozinha, grávida e ele não voltou, sair daquela Cidade me destruiu, mas eu não era mais bem-vinda na casa da minha mãe.

Portanto cheguei a constatação de que homens não prestam, eu prefiro a minha paz em morar sozinha, com a minha filha do que me iludir novamente, com seja lá homem que for!

Então suspirei, afastando aqueles pensamentos, sentindo a brisa morna daquela noite de verão. Levantei-me e voltei para dentro de casa.

Ao entrar no quarto, encontrei Alice dormindo profundamente. Aproveitei o embalo do sono e me deitei ao lado dela, acariciando seus cabelos até adormecer.

Na manhã seguinte, acordei e percebi que Alice já não estava mais na cama. Levantei-me desanimada. Eu não tinha a menor vontade de enfrentar mais um dia de trabalho. Tinha medo de encontrá-los novamente, mas, ao mesmo tempo... no fundo do meu coração, queria vê-lo só mais uma vez.

Repreendi-me por aquele pensamento e saí do quarto. Encontrei minha avó e Alice sentadas à mesa, tomando café da manhã.

— Bom dia! Que milagre é esse? Minha neta acordou cedo? — brincou minha avó.

Alice riu enquanto comia seu bolinho.

— Bom dia. Ontem saí mais cedo do trabalho, então consegui descansar melhor. — Respondi, sentando-me à mesa.

— Então hoje você pode nos fazer companhia e ir à igreja conosco. Vai ter uma apresentação sobre o nascimento do menino Jesus.

Ela falava animada, enquanto eu mordia um pedaço do pão, forçando um sorriso.

— Eu sei que já faz um tempo que você não quer mais ir à igreja...

— Vó, obrigada pelo convite, mas hoje vou mais cedo para o restaurante para compensar o horário que deixei vago ontem.

Franzi os lábios, e minha avó apenas suspirou, compreensiva.

— Tudo bem.

— Mãe! A vovó disse que hoje vai ter um bolo gigante lá na igreja! Eu vou comer um pedação e vou trazer um pedaço para você! — Alice disse toda empolgada.

Sorri, balançando a cabeça.

— Obrigada, filha.

Depois de conversarmos mais um pouco, terminamos o café praticamente em silêncio. Voltei para o quarto para me arrumar.

Minha avó saiu primeiro, levando Alice. Pouco depois, também deixei a casa.

Eu havia mentido.

Não estava indo mais cedo para compensar o horário. Estava indo para evitar encontrar Henrique em frente ao restaurante... se é que ele teria coragem de aparecer por lá.

Como sempre, o trânsito estava um inferno. Domingo, sol forte, fim de ano... Todo mundo parecia estar indo para a praia, carregando coolers, cadeiras e caixas de som no volume máximo.

Faltavam apenas dois dias para a virada do Ano-Novo. Provavelmente, eu também estaria na praia com Vitória.

Quando finalmente consegui escapar do congestionamento, estacionei em frente ao restaurante.

E, para o meu desespero...

Vi William abraçando Izabel por trás, os dois encostados no carro de luxo.

Henrique estava parado diante deles, conversando tranquilamente.

Meu coração falhou por um instante. disparou.

Por um instante, pensei em dar ré e desaparecer dali.

Porém, antes que eu pudesse ligar o carro, Henrique franziu a testa.

Seu olhar cruzou o estacionamento...

E parou exatamente em mim.

Tentei manter a calma, respirando fundo enquanto apertava o volante. Eu não queria enfrentar aquilo. Meu coração disparava, minhas mãos suavam, e cada segundo parecia aumentar minha vontade de ir embora.

Mas não podia fugir.

Respirei fundo mais uma vez, saí do carro e caminhei até o restaurante com as pernas trêmulas. Assim que comecei a destrancar a porta, senti sua presença atrás de mim.

— Carol... A gente pode conversar?

A voz de Henrique fez meu corpo inteiro arrepiar.

Fechei os olhos por um instante antes de me virar.

— O restaurante só abre às sete da noite.

Tentei soar indiferente, mas minha voz saiu fraca, quase falhando.

— Já faz cinco anos que eu te procuro, Carol. Por que você desistiu de mim?

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