A luz do sol filtrou-se pelas janelas inteligentes da cobertura, clareando os vidros automaticamente. Alisson abriu os olhos e o primeiro som que registrou foi o de seu próprio coração batendo forte nas têmporas. O peso do braço de um homem envolvendo sua cintura a fez reagir com um pavor gélido.
Virou a cabeça milímetro por milímetro. Ao seu lado, Massimiliano Fitzwilliam dormia profundamente. Alisson sentiu o pânico fechar sua garganta ao lembrar da mesa de mármore e da entrega absoluta da noite anterior. Sem pensar, deslizou para fora dos lençóis, recolheu suas roupas com as mãos trêmulas e vestiu-se em um silêncio sepulcral. Saiu do prédio como um fantasma, fugindo por milagre antes que o mundo acordasse.
Ao entrar em seu pequeno apartamento, o silêncio a atingiu. Sentia-se suja, idiota e atordoada. Deixou-se escorregar contra a porta fechada, abraçando os joelhos enquanto os soluços começavam a escapar de sua garganta. Como tinha passado de uma promoção e uma decepção amorosa para a cama de um estranho?
— Sou tão patética — fungou.
Nesse momento, seu telefone vibrou na bolsa. A tela iluminou a penumbra do corredor: "Julian ligando". Alisson olhou para o nome e sentiu uma náusea violenta. O homem que a tinha ignorado na noite anterior para continuar com outra mulher agora buscava sua atenção. Com um movimento brusco e cheio de raiva, rejeitou a chamada. Não queria falar com ninguém. Não queria explicações de Julian, nem queria lembrar o nome daquele homem com quem passara a noite. Afundou-se na cama, chorando até o esgotamento vencê-la, desejando que tudo fosse um pesadelo induzido pelo álcool.
Do seu lado, Massimiliano acordou pouco depois, sentindo uma leveza estranha. Tinha dormido a sono solto como há muito tempo não conseguia; sequer tinha precisado dos remédios para dormir que costumavam ser sua única trégua. Ao esticar a mão e encontrar o lado da cama vazio, sentiu-se aliviado. Ela tinha ido embora.
Sentou-se na beirada do colchão, esfregando as têmporas; jamais se permitia perder o controle, muito menos com uma desconhecida que o havia insultado antes de beijá-lo.
— Maldição, Massimiliano. No que você estava pensando? — recriminou-se em voz baixa, olhando para a bagunça dos lençóis.
Ao se levantar para procurar a roupa, algo brilhou intensamente no tapete, perto da beirada da cama. Abaixou-se e o recolheu. Era um bracelete de prata, delicado porém firme, com iniciais gravadas profundamente no metal: *A. A. H. S*. Segurou a peça na mão, sentindo o frio do metal contra a palma. Concluiu que talvez fosse algo de alto valor sentimental para aquela mulher, dada a natureza da gravação. Em vez de deixá-lo no criado-mudo para que o serviço de limpeza o encontrasse, ou jogá-lo no lixo para apagar as evidências, Massimiliano o fechou no punho e o guardou. Talvez, embora sua mente lógica dissesse que ele não queria, seu instinto sabia que cruzaria com ela novamente.
Soube que devia despertar todos os seus sentidos ao ver as horas. Rapidamente começou a se vestir para ir ao trabalho! Ser pontual era um ritual para ele, e aquele dia não seria exceção.
Mais tarde, em seu escritório, seu assistente entrou com uma pilha de documentos. O jovem, que conhecia perfeitamente os humores do chefe, notou de imediato que Massimiliano não estava prestando atenção aos balanços financeiros de sempre. Viu-o com o olhar perdido na janela, acariciando algo dentro do bolso com uma expressão ausente que jamais tinha visto nele.
— Senhor... o senhor está bem? Parece um pouco distraído hoje — atreveu-se a perguntar o assistente com cautela.
Massimiliano reagiu imediatamente, tirando a mão do bolso e adotando sua postura rígida e gélida de costume.
— Estou bem. Só revisava mentalmente uns relatórios de avaliação — disfarçou, embora o brilho em seus olhos o traísse.
O assistente passou a informá-lo sobre os assuntos pendentes, mas antes de sair, lembrou do assunto que Massimiliano vinha adiando há meses.
— Seu pai ligou de novo, senhor. Insiste que já passou da hora de o senhor assumir as rédeas da empresa de marketing e publicidade da família. Diz que os números têm sido medíocres nos últimos três anos e que só o senhor pode salvar o prestígio do sobrenome.
Massimiliano guardou silêncio por um longo minuto, olhando para o horizonte da cidade. Por alguma razão, a ideia de ir para aquela empresa já não lhe parecia tão entediante.
— Diga a ele que eu aceito. Serei o novo diretor, mas tenho condições — sentenciou com uma segurança cortante. — Agendem minha visita oficial para daqui a dois meses. Quero que tudo esteja impecável para a minha chegada.
O assistente assentiu e saiu, deixando Massimiliano a sós com seus pensamentos. Ele voltou a tirar o bracelete de prata, traçando as iniciais *A.A.H.S* com o polegar. O destino parecia direcionar seus passos até ela outra vez, e desta vez, seria sob as suas próprias regras.