Lilian
Livre.
Era uma palavra curta, cinco letras apenas e, ainda assim, pesada demais para caber no meu peito. Você está livre, repetia minha mente como um hino distante, quase solene. Mas quanto mais a frase ecoava, menos liberdade eu sentia. Havia algo profundamente cruel naquela promessa, ela soava bonita, mas ardia como uma ferida aberta.
Durante semanas, eu havia desejado exatamente aquilo. Ser livre de Lucian. Livre das rédeas invisíveis, das decisões que nunca pareciam ser realmente minhas, das expectativas que me esmagavam em silêncio. Eu havia sonhado com esse momento como quem sonha com ar depois de se afogar. E, no entanto, quando finalmente o alcancei, não houve alívio. Apenas um vazio crescente, um buraco que se alargava dentro de mim a cada quilômetro percorrido.
Eu sentia como se estivesse abandonando a melhor versão de mim mesma para trás. Como se toda a minha alegria tivesse ficado presa ao passado, sentada ao lado dele, enquanto eu seguia em frente carregando apenas