Lilian
A maldita dor ainda martelava na minha têmpora, insistente como um sino quebrado que não cessava nunca. E o pior era que já haviam passado mais de vinte e quatro horas desde que Lucian saiu de casa sem nem ao menos dizer quando voltaria. Como sempre. Como se eu fosse incapaz de lidar com a verdade, ou de lidar com ele.
Eu não queria que as coisas desmoronassem. Não queria drama, conflitos, dúvidas que me corroíam dia e noite. Só queria que as pessoas das quais eu gostava me apoiassem. Beatriz sempre me apoiou. Sempre. Ela foi a única amiga real, a única irmã que tive no convento. Mas comigo nada era fácil ou normal. Comigo as coisas boas nunca duravam, era como se eu tivesse nascido sobre mau agouro, cada momento de felicidade se transformava em um mau presságio.
Beatriz sempre foi o que eu queria ser. Mesmo dentro do hábito, ela parecia livre… livre demais para uma freira. Agora tudo fazia sentido, e quanto mais eu pensava, mais perguntas nasciam.
Porquê ela, junto da madre p