Antonella
Passei a noite sonhando com o que não tenho. No sonho, eu e Alonzo morávamos juntos de verdade. Não havia portas trancadas nem horários desencontrados. Ele me abraçava pela manhã, eu fazia café, e a gente ria de coisas simples. No sonho, ele me chamava pelo nome com carinho.
Tocava meu rosto sem pressa. Eu encostava a cabeça no peito dele e sentia que aquele era o meu lugar. Não havia contrato, reuniões ou solidão. Havia nós dois, de forma inteira. Fizemos planos. Falamos de viagens. Falamos até de filhos.
Acordei com o desejo do beijo e do toque dele e a televisão desligada. Eu estava no sofá da sala. Um lençol e uma manta cobria meus ombros e minhas pernas. Eu não me lembro de ter me coberto.
Olhei ao redor. A outra manta que eu tinha usado mais cedo estava dobrada na poltrona. O controle remoto estava alinhado na mesa de centro. Reconheci o cuidado. Não era obra de acaso. Foi ele.
Fiquei alguns segundos calada, só respirando. Levantei devagar, dobrei o lençol, a manta e