Capítulo 55 —Código Carlos-Analía
Narrador:
Sofia procurou o quarto mais distante, fechou a porta do banheiro e girou a maçaneta com a mão trêmula. Procurou o canto ao lado da banheira. Deixou-se cair lentamente, com as costas contra a parede fria, os joelhos contra o peito. Aguentou dois segundos... e desabou.
Cobriu a boca com o antebraço para abafar o primeiro soluço.
— Não, não faça barulho... — sussurrou, quase sem voz — que ninguém te ouça, que ele não te ouça.
As lágrimas corriam quentes, teimosas. Apoiou a testa nos joelhos e respirou fundo, tentando controlar o tremor.
—Você é Sofía... —murmurou, com um fio de voz —Você é a chefe e está fazendo a coisa certa. Ainda não. Ainda não.
Outro soluço, mais profundo. Fechou os olhos com força.
—Como eu digo a ele que sou eu? —perguntou ao azulejo —Como sem destruí-lo... sem me destruir?
Ela se obrigou a ficar em silêncio, a ouvir o silêncio do quarto. Lá fora, nada. Nem passos, nem vozes. Apenas sua respiração ofegante.
—Calma, chefe.