Mundo ficciónIniciar sesiónEu não sei por que aceitei isso. Não me sinto pronta para o que Madison planejou para esta noite.
Faz exatamente duas semanas desde que descobri que o meu noivo estava me traindo com uma mulher do trabalho. Como sei da onde ela é? Madison me ajudou a escavar cada fragmento dessa história; eu pedi por isso, talvez como um jeito masoquista de entender a verdade para conseguir, quem sabe, seguir em frente.
A mulher se chama Daiana. Não descobrimos o setor dela, mas as evidências estavam em todo lugar: fotos em reuniões, colaborações e festas da empresa, sempre próximos demais. Ao olhar para trás, também identifiquei padrões sombrios no comportamento de Sebastian nos últimos seis meses: mensagens cifradas, horas extras excessivas, viagens súbitas, urgências de trabalho que nunca existiram.
Tudo estava escancarado diante dos meus olhos. Eu só não quis ver.
Passei as últimas semanas submersa em uma melancolia sem fim. Estava desempregada, traída e, o que era pior, obrigada a explicar para cada convidado por que o casamento que aconteceria em três meses havia sido cancelado.
Os mais atingidos foram meus pais e os meus sogros. Ninguém esperava o golpe, mas todos respeitaram a minha decisão. Minha ex-sogra, uma mulher admirável, deixou claro que "resolveria a situação" com o filho — o que me deu o consolo de saber que o mau-caráter dele não era hereditário. Depois disso, o silêncio se instalou; não tive mais notícias de Sebastian ou de sua família.
Consumi os meus dias tentando encontrar um novo emprego, mas o mercado londrino parecia uma fortaleza impenetrável. Enviei currículos para minha área e para setores correlatos, mas o silêncio das empresas só me fazia afundar mais na minha própria tristeza.
Foi então que Madison, minha melhor e única amiga, teve a "brilhante" ideia de me tirar de casa. Quando imaginei que iríamos ao shopping, ao cinema ou a um restaurante, ela simplesmente anunciou que iríamos a uma festa exclusiva em um dos hotéis mais caros e renomados do país.
Eu recusei, é claro, mas Madison não conhece o significado da palavra desistência. Ela praticamente me arrastou pelo braço, escolheu minha roupa, esculpiu meu penteado e me incentivou a me maquiar, elogiando-me até que o meu ego estivesse inflado o suficiente para eu perder a capacidade de dizer não.
Agora estou aqui, cruzando o hall de entrada do The Cavendish Mayfair. Um lugar de um luxo tão opressor que mal sei como me comportar.
Sigo Madson de perto, em silêncio, observando-a dominar o espaço com uma naturalidade invejável. Ela caminhava pelo mármore polido com uma confiança que eu daria tudo para ter. Estava deslumbrante. O vestido de cetim verde-esmeralda criava um contraste magnífico com sua pele retinta, fazendo-a brilhar sob os colossais lustres de cristal.
O corte da peça celebrava cada curva de seu corpo; Madison não era magra, nem gorda, possuía aquele tipo de corpo real e curvilíneo que preenchia o tecido de forma impecável. O decote em "V" era audacioso, e a fenda lateral revelava suas pernas a cada passo decidido em seus saltos dourados. Com o cabelo preso em um coque alto e polido, seu rosto estava livre para exibir uma maquiagem iluminada e argolas que dançavam conforme ela ria de algo que eu dissera. Ela era uma força da natureza, pronta para conquistar a festa, enquanto eu lutava apenas para me manter de pé.
Eu ansiava por aquela autoconfiança.
Se Madson parecia ter nascido para noites como esta, eu me sentia como uma intrusa arrastada para o palco. No entanto, ao vislumbrar meu reflexo em uma das colunas espelhadas do hall, quase não me reconheci.
O vestido preto que eu usava parecia absorver a luz ao redor. De frente, era minimalista: gola alta e um corte reto que abraçava minha cintura antes de fluir pelos quadris, valorizando minhas formas de maneira sutil. Eu era um pouco mais magra que Madson, mas o vestido garantia que nenhuma linha do meu corpo passasse despercebida.
O verdadeiro segredo, porém, residia nas costas.
Ao me virar, o decote profundo revelava a pele clara até quase a linha da cintura, deixando minha coluna totalmente exposta. Era uma ousadia que a "antiga Collins" jamais teria coragem de ostentar, mas hoje… eu não queria ser aquela mulher.
Meus cabelos castanhos escuros caíam em ondas leves, jogados para um lado para não ocultar o detalhe das costas. A maquiagem era suave, o suficiente apenas para camuflar o cansaço e as cicatrizes invisíveis do choro de horas atrás. Eu não estava radiante como Madison. Não chamava atenção ao entrar. Mas, pela primeira vez naquela noite, eu não parecia alguém prestes a desmoronar.
Subimos pelo elevador, ignorando a recepção principal. Madison era a veterana ali; ao longo dos anos, construiu uma rede de contatos que lhe garantia acesso VIP às celebrações mais luxuosas de Londres. Eu, por outro lado, sempre fui o tipo que preferia o casulo do lar. Amava me dedicar ao trabalho e passar os fins de semana com meu ex-noivo, lendo um bom livro ou pintando. Quando Sebastian estava em casa, nosso mundo se resumia a filmes, conversas e planos para um futuro que agora não passava de cinzas.
Abandonei saídas e festas inúmeras vezes por ele. Madison insistia, mas eu acreditava que não era certo estar comprometida e frequentar tais ambientes. Que ironia. Agora eu estava solteira e, já que havia atingido o fundo do poço, decidi que não custava nada mergulhar um pouco mais.
O elevador parou no décimo terceiro andar. O hotel possuía vinte e quatro ao todo.
O corredor que levava ao salão parecia pertencer a outra era — um lugar onde a riqueza era silenciosa e absoluta. As paredes, revestidas em bege quente, ostentavam molduras douradas que circundavam painéis elegantes. Não era um dourado vulgar, mas um brilho discreto que capturava a luz de forma hipnotizante.
Diante de nós, uma porta dupla se abria, guardada por um segurança e uma recepcionista impecável.
— Boa noite, senhoritas. Bem-vindas ao The Cavendish Mayfair — a voz dela era melódica, carregada de um sotaque britânico perfeitamente polido. — Estão na lista para a Golden Gala.







