Capítulo 5

Diante de Mariela, Alana teve que admitir: ela era excepcional. Seria esse o padrão que Daniel sempre buscou? Ao observar o brilho de proteção e afeto nos olhos dele para com a outra, Alana sentiu o peso do próprio vazio. Ele não escondia a conexão única que tinha com Mariela; naquela equação, onde Alana se encaixava?

Ela baixou a cabeça, deixando o pescoço exposto e as orelhas ruborizadas pela tensão da discussão. Daniel a observou, e por um instante, seu olhar tornou-se denso, capturado pela beleza deslumbrante que ela exalava naquela noite. Seu pomo de Adão oscilou, mas ele sufocou o impulso, virando as costas e caminhando em direção ao carro.

Freitas abriu a porta rapidamente. Antes de entrar, Daniel sussurrou uma ordem curta. O assistente então se aproximou de Alana:

— Senhora, já está tarde. Posso levar a senhora e o Presidente para casa?

 Não precisa. O carro do Sr. Daniel não é digno de me dar carona — Alana respondeu, olhando para o Cullinan de oito dígitos. Ela nunca havia andado naquele carro antes; não aconteceu no passado e, certamente, não aconteceria no futuro.

— Senhora, por favor... a senhora é a Sra. Craig. O carro dele também é seu — Freitas sentiu um suor frio. Não entendia como a esposa, sempre tão dócil, tornara-se tão afiada.

— Não serei a "Sra. Craig" por muito tempo — ela sentenciou.

Freitas soltou um palavrão mental, olhando do chefe para a mulher obstinada nos degraus.

— Freitas, dirija! — a voz de Daniel ecoou, vinda da janela entreaberta, com o rosto rígido.

Assim que o carro deu partida, Freitas tentou amenizar:

— Presidente, a senhora está agindo assim por causa das notícias? Devo explicar que a surpresa para a Vice-Presidente Mariela foi organizada por mim?

— Não há nada a explicar — Daniel cortou, frio. — Se ela quer agir de forma irracional por causa de um escândalo bobo, deixe que reflita sozinha.

Nesse momento, a voz de Suzi gritou da calçada:

— Daniel! A nossa Alana vai ser uma estilista de sucesso! Você nunca foi bom o suficiente para ela!

O rosto de Daniel escureceu.

— Vá embora — ordenou. Após um longo silêncio no carro, ele perguntou: — O que ela estudou na faculdade?

— Design de interiores, senhor — respondeu Freitas.

— Coloque alguém para vigiar cada passo dela. Proíba qualquer empresa de design de contratá-la.

Era a tática de negócios de Daniel: asfixiar a resistência até a rendição. Ele tinha certeza de que funcionaria com Alana.

Enquanto isso, Alana via o carro sumir e suspirava.

— Do que você tem medo? — Suzi estava furiosa. — Ele te humilhou dando gorjeta! Você é a esposa legítima!

— Ofender o Daniel agora não é inteligente, Suzi. Um escândalo tornaria o divórcio uma guerra entre as famílias.

Alana sabia que seu pai, dependente dos negócios de Daniel, nunca aceitaria a separação. Sua mãe sempre pregou a "virtude do silêncio". Ela suportou dois anos de gelo achando que ele era apenas reservado; agora via que sua tolerância foi sua ruína.

Ao chegar no apartamento de Suzi, Alana abriu o laptop.

— Vou enviar currículos agora. Quero mérito próprio.

Embora estivesse fora do mercado, seu portfólio premiado da faculdade ainda brilhava. Na manhã seguinte, ela comprou um terno elegante para as entrevistas. Sempre que a imagem de Mariela surgia para fazê-la se sentir inferior, Alana usava a dor como impulso. Se não tivesse se anulado há dois anos, onde estaria agora?

Na manhã de sexta-feira, Alana chegou pontualmente para sua primeira entrevista. O terno novo lhe conferia uma postura profissional, mas o frio na barriga denunciava o tempo que ela passara longe daquele ambiente.

— Sra. Alana, seu portfólio de faculdade é brilhante — observou o entrevistador, folheando os projetos premiados. — Mas há um hiato aqui. O que você tem feito nos últimos dois anos?

Alana sentiu o rosto esquentar. A resposta parecia um fardo pesado demais para carregar. — Eu... eu me casei.

O homem do outro lado da mesa fechou a pasta com um suspiro de lamento, retirando os óculos. — Existe um "período de ouro" no design, Alana. Se você tivesse vindo nos procurar logo após a formatura, com essa técnica, teríamos aceitado você na hora. Mas agora... o mercado mudou, e você ficou estagnada.

Alana sentiu uma mistura de indignação e choque. — O senhor nem me fez perguntas técnicas! Vai me rejeitar apenas porque dediquei dois anos ao meu casamento e não tenho experiência corporativa recente?

— Não é pessoal — ele respondeu, com uma frieza que lembrava perigosamente a de Daniel. — É eficiência.

Alana saiu da sala com os passos pesados. Ela não sabia que, enquanto subia o elevador, Freitas já havia feito três ligações para os maiores escritórios da cidade sob as ordens de Daniel. O "bloqueio" não era apenas uma questão de currículo; era uma mão invisível apertando seu pescoço.

Ao chegar na calçada, o celular de Alana vibrou. Era uma mensagem de Daniel: "Como foi a busca pela 'liberdade'? O motorista passará para te buscar às sete. Meus pais esperam por nós para o jantar de família. Não tente fazer cena."

Alana apertou o celular com força. Daniel achava que, ao fechar as portas do mercado, ela voltaria correndo para o abrigo da mansão. Ele queria que ela entendesse que, sem ele, ela era "nada". Mas ele esquecera de um detalhe: Alana não era apenas uma esposa troféu; ela ainda era a mente por trás daqueles projetos premiados.

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