Alana encarou a mãe, cujo tom carregava sempre o peso de uma acusação silenciosa.— E se o motivo da minha tristeza estiver relacionado ao Daniel? — perguntou ela, testando os limites daquela lealdade familiar.— Não seja insensível — sentenciou Areta, sem hesitar. — Não é fácil para um homem carregar o mundo nas costas lá fora. Você precisa ser a paz dele, Alana. Seja atenciosa, seja compreensiva.Nos últimos dois anos, a frieza de Daniel nunca passou despercebida por Areta, mas sempre que Alana tentava desabafar, recebia o mesmo sermão. Alana se perguntava, com um amargor crescente, se o seu destino era se tornar um espelho da mãe: uma parceira submissa, mestre em interpretar humores e expressões alheias apenas para ser tolerada dentro de casa.— Volte para casa, peça desculpas e não o magoe — aconselhou Areta, num tom falsamente gentil. — No fim das contas, as mulheres dependem dos homens. Você não come e se veste bem graças a ele?Aquelas palavras trouxeram de volta a voz desdenho
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