A campainha toca às três da tarde, um toque curto, firme, como quem não tem pressa, mas sabe que será atendido.
A casa de dona Helena fica numa rua antiga, com calçadas rachadas e árvores altas que projetam sombra irregular sobre o portão de ferro já descascado, e naquela hora o sol bate de lado na fachada, iluminando o pó suspenso no ar do quintal como se fosse névoa dourada, enquanto ela dobra roupas na sala, a televisão ligada em volume baixo transmitindo um programa qualquer que ninguém rea