Valentina sempre manteve um território silencioso dentro da Hacienda, um espaço onde ninguém entrava sem ser convidado, onde as cortinas pesadas criavam uma penumbra constante e onde o perfume adocicado dela ficava impregnado nos móveis como uma lembrança que ninguém tinha permissão de apagar. Era ali que Rafael a encontrou quando atravessou o corredor com passos longos e determinados, segurando Camila pela mão com uma força calculada, sem permitir que ela hesitasse por um segundo.
Ele abriu a porta sem bater, empurrando-a com a palma da mão, e a madeira antiga rangeu com um som que cortou o silêncio do cômodo. Valentina estava sentada em uma poltrona de veludo vinho, com o corpo inclinado para trás e uma taça de tequila envelhecida entre os dedos — a imagem exata de alguém que vive de segredos e de paciência. Ela levantou os olhos e sorriu com a calma de quem acredita que o mundo gira em volta da própria conveniência.
— Boa noite, Rafael — ela disse, levando a taça à boca com elegânc