Camila acordou com o quarto mais claro e a televisão desligada. A primeira coisa que sentiu foi a mão de Rafael sobre a barriga, ainda pesando ali, como se tivesse passado a noite toda naquela posição.
— Dormiu alguma coisa? — ela perguntou.
— O suficiente para continuar em pé hoje — respondeu, sem tirar a mão dela. — E você?
— Entre um chute e outro, acho que sim.
Antes que continuassem, bateram à porta. Ingrid entrou sem cerimônia, com a prancheta e aquele olhar que não aceitava negociação.
— Bom dia para quem não está em trabalho de parto — falou. — Como passamos a noite?
— Ele mexeu bastante, mas nada de dor forte — Camila respondeu. — Mais incômodo do que outra coisa.
Ingrid checou a barriga, pediu que Camila respirasse fundo, contou os batimentos, anotou tudo.
— Continua estável. — Endireitou o corpo. — Agora eu quero saber se alguém aqui passou a madrugada vendo notícia ruim.
Camila trocou um olhar rápido com Rafael.
— Vimos um pouco — ela admitiu. — A mulher grávida que morreu