PÉNELOPE VERONESI
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
Porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém rouba mais de mim.
Com um marcador azul, tracei linhas sob as palavras escolhidas. Em seguida, comecei a transcrever a poesia no caderno em branco que descobri entre