Sara Moratti
A porta da minha sala estava entreaberta, um hábito que eu cultivava para parecer acessível, mas que, na verdade, servia apenas para monitorar o ritmo da Holding sem precisar me envolver no ruído. No entanto, hoje, aquele pequeno vão na madeira era o meu visor para o único ponto do escritório que realmente importava: a mesa de Gabriel Ventura.
Eu ainda sentia o peso do meu pai no meu ombro da noite anterior, o cheiro de lavanda e madeira da biblioteca, e a promessa silenciosa de q