Gabriel Ventura
A aurora em São Paulo tem um tom acinzentado, uma névoa que sobe do asfalto úmido e se mistura ao cheiro de pão na chapa das padarias que começam a abrir. Mas, dentro do meu sobrado na Vila, o ar ainda retinha o perfume de sândalo de Sara e o calor da noite que tínhamos acabado de dividir. Quando a vi terminar de se vestir, usando aquela camisa de seda que custava mais do que o meu carro, senti uma pontada de realidade. Ela não pertencia àquele quarto de taco de madeira e corti