Elena Sampaio
O ar dentro da galeria estava impregnado com o perfume de lírios brancos e o burburinho da elite de São Paulo. Luzes focadas transformavam o espaço industrial em um templo de expressão. Eu usava um vestido de seda preta, minimalista e arquitetônico, que Alexandre me dera, mas a minha verdadeira joia era a confiança que eu carregava.
Meses de trabalho, de noites em claro no ateliê e de discussões apaixonadas com Mariana tinham culminado ali. As paredes estavam cobertas com a minha alma, do que eu vivi e quis transmitir para o mundo.
Caminhei entre os convidados, ouvindo os sussurros de admiração. Mariana estava radiante, apresentando as minhas obras aos críticos mais ferrenhos da cidade. Quando parei em frente à minha tela central, "Luz sobre as Águas", vi um grupo de colecionadores em silêncio absoluto.
Eu não era mais a "esposa de Ricardo Fontes" ou a "filha dos Sampaio". Eu era Elena Sampaio, a artista que transformou a dor em beleza. Ricardo estava cumprindo sua