2_Uma noite de revelações.

A noite estava fria, mas cheia de calor humano. Alex tinha chegado naquele dia, e como era de costume da família Willman, resolveram fazer o tradicional jantar em ritmo de acampamento no sobradinho afastado da cidade.

A família de zaac não poderia comparecer,o destino está sempre colocando contratempos. Ainda que Aquila tenha insistindo para que seu amigo viesse.

Lá embaixo, na parte do campo, uma fogueira já queimava forte, lançando faíscas douradas no ar. Em volta dela, todos estavam acomodados — em cadeiras, em almofadas grandes no chão, ou até enrolados em cobertores. Algumas barraquinhas estavam montadas perto, dando aquele ar de acampamento que todo mundo adorava. A família já tinha tornado aquele evento algo quase sagrado: às vezes todo mês, outras vezes todo final de semana, sempre que podiam.

A mesa de madeira estava cheia de comidinhas: milho cozido, pão de alho, salsichões, espetinhos, doces, sucos e vinho quente. Na fogueira, alguns petiscos estavam assando devagar. O cheiro se misturava com o da lenha e da noite gelada.

Átila e Alex estavam sentados juntos, dividindo o mesmo cobertor xadrez. Ela tinha a cabeça encostada no ombro dele, e ele, vez ou outra, beijava sua testa com carinho. Em alguns momentos, trocavam beijos doces, despreocupados com os olhares. O amor deles era sereno e presente — e naquela noite, parecia ainda mais forte.

Mais afastado, Aquila tocava violão com os dedos congelados, mas não deixava de arrancar acordes firmes e bonitos do instrumento. Seu pai, Bernard, se levantou e pediu:

Bernard: Filho, toca uma das antigas... aquela, a nossa música.

Aquila sorriu e começou os primeiros acordes. Lauryn, ao ouvir, olhou para o marido e sorriu emocionada. Todos começaram a cantar juntos, a letra era conhecida e cheia de memória. Quando terminou, todos aplaudiram com palmas quentinhas, como se fossem abraços.

Aquila: Pai... por que essa música é a de vocês?

Bernard: Ah, é uma longa história! Quando conheci a Lauryn, ela tava num momento complicado... E essa música... bem, foi ela que ajudou a acalmar o coração dela. Quando cantei, ela cantou comigo. Foi aí que tudo mudou.

Lauryn: Mas essa história é longa mesmo, viu!

Átila: Eu e Aquila nunca ouvimos ela! Por que nunca contaram? Hoje tá uma noite perfeita pra isso, olha essa lua!

Lauryn e Bernard trocaram um olhar. Sabiam que, mais cedo ou mais tarde, aquela história teria que ser dita.

Bernard: Bom, todos nossos amigos próximos que estão aqui já conhecem. Acho que está na hora de vocês dois saberem também.

Lauryn respirou fundo. As chamas da fogueira dançavam refletidas em seus olhos.

Lauryn: Eu era jovem... tinha um namorado que dizia me amar. Fizemos planos, falamos até em casamento. Mas um dia, do nada, ele terminou tudo. Disse que não dava mais, e que os motivos eu não entenderia.

Ela fez uma pausa, olhando para as brasas.

Lauryn: Pouco depois, descobri que ele viajou com uma mulher chamada Megan. Diziam que era ex dele... eu fui só mais uma enganada. Um mês depois, descobri que estava grávida de você, Átila.

Átila apertou a mão de Alex, surpresa.

Lauryn: Meus pais me apoiaram em tudo, mas eu já era independente. Tinha meu emprego, meu apartamento... e quando soube da gravidez, decidi que você seria minha força.

Atila: E... o meu pai biológico?

Lauryn: Liguei pra ele assim que confirmei a gravidez. Ele disse que era pra eu esquecê-lo. Ofereceu dinheiro pra eu sumir com o assunto. Eu recusei. Nem eu, nem minha filha estávamos à venda. Depois disso, ele desapareceu. Mudou de número. Nunca mais deu sinal.Neytan Hiago Augustín era só mais um idiota obcecado por dinheiro, Megan, modelo, bem sucedida saciava a fome dele por dinheiro. Com apoio dos meus pais, eu segui em frente.

Aquila: E você fez tudo sozinha...barra pesada né?

Lauryn: Não completamente. Bernard entrou na minha vida quando Átila ainda era um bebê. Ele foi quem assumiu o papel de pai, e não só no nome. Ele amou vocês como se fossem dele. E vocês são. Porque família é isso.

Lauryn olhou para Bernard com os olhos brilhando.

Lauryn: E aquela música... foi a primeira que ele cantou pra mim. No meio do caos, ele trouxe calma. Trouxe paz.

Todos ficaram em silêncio por alguns segundos. Esperando por reações, qualquer reação!

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