Capítulo 4

A luz do sol atravessava as cortinas do quarto quando Eloíse abriu os olhos. Por alguns segundos, ficou olhando para o teto, tentando lembrar onde estava, então sorriu.

Cancún. A viagem. Dante.

Ela levou a mão ao rosto, sentindo as bochechas esquentarem ao lembrar do beijo da noite anterior.

— Meu Deus... — murmurou para si mesma.

— Está falando sozinha?

Eloíse virou o rosto e encontrou Isabel sentada na cama, já pronta.

— Você já está acordada?

— Faz tempo. E estou esperando você há uns quinze minutos.

— Quinze minutos?

— Talvez vinte.

Eloíse pegou um travesseiro e jogou na amiga.

— Para de reclamar!

— Vamos logo! Quero encontrar os meninos antes do passeio.

Eloíse levantou-se rindo.

— Você está muito interessada no Aidan.

— E você está muito interessada no Dante para falar de mim.

— Não estou!

— Claro que não.

+

Pouco depois, as duas desceram para tomar café.

Dante e Aidan já estavam esperando em uma mesa próxima às janelas do restaurante.

Quando Dante viu Eloíse, seu olhar imediatamente se iluminou, ela vestia uma saia leve e uma blusa branca, com os cabelos soltos e óculos de sol apoiados sobre a cabeça.

— Bom dia! — disse ela, aproximando-se.

— Bom dia! — respondeu Dante.

Ele se levantou e beijou delicadamente sua bochecha, Eloíse sorriu.

— Dormiu bem?

— Muito bem. E você?

— Também.

Aidan olhou para Isabel.

— Acho que estamos atrapalhando alguma coisa.

Isabel riu.

— Definitivamente.

Os quatro se sentaram e começaram a tomar café, a conversa passou por assuntos completamente aleatórios. Falaram sobre comida, viagens, música e lugares que gostariam de conhecer. Pouco depois, o grupo encontrou o transporte que os levaria até o cenote.

Durante o caminho, a animação era evidente ,Isabel e Aidan conversavam na parte da frente, enquanto Eloíse e Dante ficaram juntos, ele segurava a mão dela. Em alguns momentos, seus dedos se entrelaçavam. Eloíse olhava pela janela, encantada com a paisagem.

— Está feliz? — perguntou Dante.

Ela virou-se para ele.

— Muito!

— Eu também.

— Por causa do passeio?

— Por sua causa.

Eloíse sorriu.

— Você é sempre assim?

— Assim como?

— Tão direto.

— Só quando não tenho vontade de esconder o que estou sentindo.

Ela apertou delicadamente a mão dele.

— Gosto disso.

Quando chegaram ao cenote, Eloíse ficou impressionada. A água cristalina refletia a luz que entrava pela abertura natural da formação rochosa.

— Uau...

Dante observou o rosto dela.

— Gostou?

— É lindo.

Ela se aproximou da água.

— Nunca vi nada parecido.

O dia passou entre mergulhos, brincadeiras, fotos e muitas risadas. Aidan e Isabel não se desgrudavam. Em determinado momento, os quatro decidiram entrar na água juntos.

Eloíse segurou a mão de Dante enquanto caminhavam.

— Está com medo?

— Um pouco.

— Eu estou aqui.

— Isso deveria me tranquilizar?

— Deveria.

Ela riu.

Pouco depois, Dante se aproximou dela.

— Posso?

— Pode o quê?

Ele não respondeu, apenas a beijou. Eloíse sorriu contra seus lábios antes de retribuir. Quando se afastaram, ela colocou as mãos sobre o peito dele.

— Estamos em público.

— E daí?

— Isabel está olhando.

Dante olhou para trás.

Isabel realmente estava observando.

— Eu sabia! — gritou ela.

Eloíse começou a rir.

— Você é impossível!

Aidan também ria.

— Acho que estamos testemunhando o começo de alguma coisa.

Dante olhou para Eloíse.

— Eu espero que sim.

Ela não respondeu.

Apenas segurou sua mão novamente.

+

Depois de algumas horas, os quatro seguiram para o almoço, encontraram um restaurante simples e agradável próximo ao local do passeio. Quando terminaram, Dante pegou a carteira.

— Quanto ficou?

Eloíse imediatamente colocou a mão sobre o braço dele.

— Não!

— Não?

— Nós vamos pagar.

— De jeito nenhum.

— Dante...

— Eu convidei vocês.

— E nós aceitamos o convite. Mas não significa que você vai pagar tudo!

Aidan riu.

— Acho que você perdeu essa!

Dante olhou para Eloíse.

— Você sempre consegue o que quer?

— Quando estou determinada!

Ele sorriu.

— Percebi.

Eloíse e Isabel pagaram por tudo.

— Hoje é por nossa conta — afirmou.

Dante finalmente desistiu.

— Está bem.

— Obrigada.

— Mas você me deve uma.

— Talvez.

Ele se inclinou e deu um beijo rápido nela.

— Agora estamos quites.

Eloíse ficou vermelha.

+

No caminho de volta ao hotel, o cansaço começou a aparecer. Isabel acabou dormindo encostada no ombro de Aidan, Eloíse observava a paisagem pela janela, ainda sorrindo e Dante percebeu.

— No que está pensando?

— Que esse foi um dos melhores dias que já tive!

— Sério?

— Sério.

Ela apoiou a cabeça no ombro dele.

— Acho que vou lembrar desse dia por muito tempo.

Dante passou o braço ao redor dela.

— Eu também.

+

O sol começava a desaparecer no horizonte, tingindo o céu de tons alaranjados e rosados. Eloíse estava sentada ao lado de Dante, com a cabeça apoiada em seu ombro. Ele fazia carinho em seus cabelos enquanto os dois observavam a movimentação tranquila ao redor da piscina.

— Você vai voltar para o Brasil? — perguntou Dante.

Eloíse levantou a cabeça e sorriu.

— Não.

— Não?

— Eu e Isabel vamos direto para os Estados Unidos.

Dante pareceu surpreso.

— Estados Unidos?

— Sim. Minha família sempre viajou muito para lá por causa dos negócios, então conheço alguns lugares. Mas, dessa vez, será diferente.

— Como?

— Vou fazer uma especialização em Nova York.

O sorriso de Dante apareceu imediatamente.

— Nova York?

— Isso mesmo.

— Então você vai ficar em Nova York por quanto tempo?

— Quatro ou cinco meses. Ainda estou organizando tudo, mas já está praticamente certo.

Dante ficou alguns segundos em silêncio, como se estivesse processando a informação.

— Acho que o destino está querendo me ajudar.

Eloíse riu.

— Por quê?

— Porque eu também passo bastante tempo em Nova York.

— Por causa dos seus negócios?

Ele assentiu.

— Entre outros lugares.

Eloíse o observou atentamente.

— Você realmente viaja bastante, não é?

— Viajo.

— E nunca me contou exatamente o que faz.

Dante sorriu de lado.

— Você ainda tem muitas coisas para descobrir sobre mim.

— Isso parece uma ameaça.

— É uma promessa.

Ela riu e voltou a apoiar a cabeça em seu ombro.

— Então parece que não vai ser tão difícil nos encontrarmos.

— Não quero que seja difícil.

Dante pegou a mão dela e entrelaçou seus dedos.

— Quando você chegar a Nova York, me avise.

— E você vai estar lá?

— Vou fazer questão.

Eloíse sorriu.

— Então está combinado.

— Combinado.

Ele se aproximou e beijou seus lábios. O beijo foi lento e carinhoso, sem a urgência dos anteriores. Eloíse passou os braços ao redor dele e permaneceu ali por alguns segundos, aproveitando aquela sensação. Quando se afastaram, Dante acariciou seu rosto.

— Vou sentir sua falta.

— Mas nós vamos nos ver em poucos dias.

— Ainda assim.

Eloíse sorriu.

— Então você já tem um motivo para querer que esses dias passem rápido.

— Tenho vários.

Ela riu.

— Convencido.

— Apenas sincero.

Os dois permaneceram abraçados enquanto a noite caía sobre o resort. Para Eloíse, aquela viagem aos Estados Unidos representava muito mais do que uma especialização, era o primeiro passo para a vida que vinha planejando construir longe das expectativas da família.

Uma nova cidade. Novos desafios. Uma nova fase. E agora, inesperadamente, Dante fazia parte dos seus planos. Ela ainda não sabia quem ele realmente era. Não sabia quais segredos escondia. Não fazia ideia de que o homem que conhecera por acaso em Cancún estava muito mais ligado ao mundo de sua família do que poderia imaginar.

Naquele momento, porém, tudo parecia simples. Eles se reencontrariam em Nova York e, para Eloíse, isso era tudo o que importava.

— Nova York — ela murmurou.

Dante sorriu.

— Nova York.

E os dois selaram a promessa com mais um beijo.

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