Capítulo 3

Não demorou muito para que Eloíse voltasse, porém, antes que pudesse chegar até Dante, um homem claramente embriagado apareceu em seu caminho.

— Ei, linda...

Eloíse tentou passar por ele.

— Com licença.

O homem bloqueou sua passagem.

— Não precisa ter pressa. Vamos para um lugar mais reservado.

— Eu disse que não!

Ele segurou o braço dela.

— Vamos, gata!

 Eloíse tentou se soltar.

— Me solte!

Antes que o homem pudesse insistir, Dante apareceu, seu semblante havia mudado completamente.

— Tire a mão dela!

O homem olhou para Dante e riu.

— E você é quem?

Dante se colocou entre os dois.

— O cara que está dizendo para você tirar a mão dela!

— Não estou fazendo nada.

— Ela disse não!

 A voz de Dante era baixa, mas ameaçadora. O homem deu um passo à frente. 

— E se eu não quiser? 

Dante cerrou o maxilar. 

— Então vou precisar explicar de outra maneira!

O homem ainda tentou provocá-lo.

— Vai fazer o quê?

Dante se aproximou. 

— Se você não sair daqui agora, vai descobrir!

Por alguns segundos, os dois se encararam e finalmente, o homem resmungou alguma coisa e se afastou. Dante imediatamente se virou para Eloíse.

— Você está bem? 

Ela assentiu.

— Estou. Obrigada.

 Ele segurou delicadamente o braço dela, exatamente onde o homem havia tocado.

— Ele te machucou? 

— Não. 

— Tem certeza? 

— Tenho. 

Eloíse respirou fundo. 

— Obrigada por aparecer. 

Dante olhou para ela. 

— Eu sempre vou aparecer. 

Ela sentiu o coração acelerar. 

— Não diga coisas assim. 

— Por quê? 

— Porque eu posso começar a acreditar. 

Ele sorriu. 

— Talvez seja exatamente isso que eu queira. 

+

Pouco depois, os quatro voltaram a se encontrar, Isabel e Aidan estavam sentados juntos, conversando e rindo como se já fossem amigos havia anos. 

— Finalmente! — Isabel brincou. — Achei que vocês tinham desaparecido! 

— Tivemos um pequeno problema — respondeu Eloíse. 

Dante lançou um olhar para ela. 

— Mas já está tudo bem. 

Aidan olhou para o primo. 

— Está tudo certo? 

— Está. 

Aidan assentiu, sem fazer mais perguntas. 

Depois de algum tempo, entre bebidas, risadas e conversas aleatórias, decidiram que já era hora de voltar ao hotel. 

Quando chegaram, Isabel e Aidan trocaram um olhar que Eloíse reconheceu imediatamente. 

— Nós vamos subir! — disse Isabel. 

— Claro. — respondeu Eloíse. 

Ela observou os dois entrarem no elevador. 

Quando as portas se fecharam, Eloíse olhou para Dante. 

— Acho que sei exatamente o que eles vão fazer. 

Dante riu.

— Eu também. 

— Não quero nem pensar! 

Os dois caminharam até a área da piscina. O movimento havia diminuído consideravelmente. Algumas pessoas ainda conversavam nas mesas próximas, enquanto as luzes refletiam na água. Eloíse se sentou em uma espreguiçadeira, e Dante ocupou o lugar ao lado.

 — Você realmente gosta do Brasil? — perguntou ele.

— Muito!

— Nunca fui.

— Então precisa ir.

— É mesmo?

— Com certeza.

            Ela começou a falar sobre praias, cidades, comidas, paisagens e lugares que gostaria de conhecer melhor e Dante a escutava com atenção. Quanto mais Eloíse falava, mais ele se interessava, não apenas pela beleza dela, mas pela maneira como seus olhos brilhavam quando falava das coisas que amava.

— Agora fiquei com vontade de conhecer! — confessou.

— Você deveria! 

— Talvez eu tenha que aceitar seu convite. 

— Eu nem convidei você. 

— Então estou me convidando para ser convidado. 

Eloíse riu. 

— Você é impossível! 

— E você está começando a gostar disso. 

Ela não respondeu, apenas sorriu. Dante observou aquele sorriso por alguns segundos. 

— Estou fascinado por você. 

Eloíse baixou os olhos. 

— Você fala isso para todas? 

— Não! 

— Como posso ter certeza? 

— Não pode. 

Ela levantou os olhos novamente. 

— Pelo menos é sincero. 

— Sempre que estou com você, sou. 

Por alguns segundos, nenhum dos dois disse nada, então Eloíse se lembrou de algo. 

— Amanhã eu e Isabel vamos fazer um tour para conhecer um cenote. 

— Cenote? 

— Sim. Vai ser nosso primeiro passeio aqui. 

— Posso ir? 

Ela arregalou os olhos. 

— Você? 

— Eu e Aidan. 

Eloíse sorriu. 

— Acho que Isabel não vai reclamar. 

— E você? 

Ela fingiu pensar. 

— Talvez eu deixe. 

Dante pegou o celular. 

— Então espere um segundo. 

— O que você está fazendo? 

— Resolvendo o problema. 

Ele fez uma ligação rápida e conversou com alguém da agência. Em poucos minutos, encerrou a chamada. 

— Conseguimos. 

Eloíse ficou surpresa. 

— Como? 

— Digamos que tenho alguns contatos. 

— Você realmente não é tão simples quanto parece, não é? 

Dante sorriu. 

— Talvez você descubra com o tempo. 

Já passava da meia-noite quando decidiram subir, Dante acompanhou Eloíse até o corredor dos quartos. Quando chegaram à porta dela, Eloíse se virou. 

—Obrigada pela noite! 

— Eu que agradeço. 

Ela segurou a maçaneta, mas Dante deu um passo à frente. 

— Eloíse! 

Ela olhou para ele. 

— Sim? 

Ele respirou fundo. 

— Eu quero ser honesto com você. 

— Sobre o quê? 

— Estou muito interessado em você. 

Eloíse sentiu um sorriso surgir involuntariamente. 

— Eu também estou interessada em você. 

Dante aproximou-se. 

— Tem certeza? 

— Tenho. 

Ele deu um pequeno passo em sua direção. Então segurou o rosto dela e a beijou. Foi um beijo breve, mas intenso o suficiente para deixar os dois em silêncio quando se afastaram. 

Ela sorriu. 

— Boa noite. 

— Boa noite, Eloíse.

Ela entrou no quarto e fechou a porta, Isabel estava sentada na cama quando Eloíse entrou. 

— Finalmente! 

— O quê? 

— Você! Eu estava esperando para saber como foi. 

Eloíse colocou a bolsa sobre uma poltrona. 

— Foi bom. 

— Só isso? 

— Muito bom! 

Isabel abriu um sorriso enorme. 

— Eu sabia! 

Eloíse riu. 

— Estou feliz por você, amiga! Finalmente alguém conseguiu despertar seu interesse. 

— Não começa. 

— Você precisava disso. Vive trabalhando, preocupada com tudo... às vezes parece que esquece que ainda é jovem. 

Eloíse jogou uma almofada nela. 

— Cala a boca! 

Isabel desviou rindo. 

— Estou falando sério. Você merece viver um pouco. 

— Eu sei. 

— E ele parece gostar de você de verdade. 

Eloíse sorriu. 

— Talvez. 

— Vocês se beijaram? 

Eloíse ficou em silêncio e Isabel arregalou os olhos. 

— Vocês se beijaram! 

— Para! 

— Eu sabia! 

— Meu Deus, Isabel... 

Eloíse fez uma expressão de nojo. 

— E eu não quero nem imaginar o que você e Aidan fizeram naquele quarto. 

— Ei! 

As duas começaram a rir. Depois de alguns minutos, Isabel se jogou na cama. 

— Amanhã vamos ao cenote, lembra? 

— Lembro. 

— E eles vão com a gente. 

Eloíse sorriu. 

— Parece que sim. 

— Então vamos dormir. 

— Finalmente uma decisão sensata. 

As duas se acomodaram. Eloíse fechou os olhos, mas antes de adormecer, pensou novamente no sorriso de Dante, ela não sabia quem ele realmente era, não sabia o que ele escondia e muito menos imaginava o quanto aquele encontro mudaria sua vida. 

Naquela noite, porém, tudo o que conseguia pensar era que, talvez, pela primeira vez em muito tempo, estava permitindo a si mesma viver algo sem pensar nas consequências.

 E talvez esse fosse justamente o começo do problema.

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