Narrado por Apolo
Eu vivi até os seis anos no Rio Grande do Norte, numa casa simples com terreno de terra, com minha mãe e meus avós. Na casa ao lado, no mesmo terreno, moravam meus tios e meus quatro primos. Minha mãe era prostituta, embora eu nem soubesse o que isso significava na época, e eu não sabia quem era meu pai.
Eu era uma criança feliz, que gostava de subir nas árvores com os meus primos, todos mais velhos do que eu. Crescia alheio às discussões entre meus avós e minha mãe. Eu gostava muito da minha avó, uma descendente de polonês que tinha os olhos mais verdes que eu já vi na vida. As brigas eram sempre por causa da minha mãe, porque queriam que ela “tomasse jeito”, mas ela não estava nem aí.
E eu a adorava. Ela não era chata como a mãe dos meus primos. Quando ela estava em casa, brincava com a gente no quintal e sempre trazia doces do trabalho.
Minha árvore preferida era um pé de amoras. Eu estava lá em cima quando um dia um carrão bonito encostou na porteira, e minha mã