Mundo de ficçãoIniciar sessãoMahjub Al-Makki
Se não fosse o bastante ter visto a mulher por quem me apaixonei sendo pedida em casamento por outro homem, agora sou surpreendido pela pessoa que jamais imaginei que estaria na porta do meu quarto de hotel. Me surpreendo ao vê-la ainda com a roupa de gala e com um sorriso discreto em seu rosto.
Olho para o lado e vejo que seus agentes do serviço secreto estavam ao lado da minha porta esperando alguma reação minha. O que poderia fazer? Não deixar que a mãe de Hope entre no meu quarto?
— Senhora de Luca! — A recebo e dou passagem para que ela entre.
Pietra olha para a mãe de Hope e sorri gentilmente, a vejo olhar meio confusa e dá dois passos para trás. Podia ver em seu olhar que começava a imaginar algo que não existia.
Olho para a minha amiga que se levanta da cama e se aproxima da mãe de Hope com o sorriso gentil que é tão característico dela.
— Mahjub não é nada do que foi dito dele nos últimos anos, o erro pelo qual ele fez é muito mais de vocês do que dele… — Diz me defendendo.
Sorrio para a minha amiga, a vejo recolher o seu sapato e sua bolsa, me aproximo dela e deixo um beijo em sua testa.
— Não se preocupe, vou para casa sozinha. — Ela diz e nego com a cabeça. — Espero você e Zara para comemorar o seu aniversário no resort no início do mês.
Começo a rir, caminho ao seu lado até a porta e deixo que minha amiga se vá. Puxo fôlego e viro em direção à minha visitante, que parecia estar assustada com o que acabou de ver.
— Pietra é a melhor amiga de minha irmã Zara, a convidei para me acompanhar no teatro, já que Zara está um pouco ocupada. — Digo e noto que a pequena ruga que havia no meio de sua testa desaparecer.
— Sabe, Mahjub, o que ela disse não deixa de ser verdade! — A senhora de Luca diz.
Caminho até a pequena mesa que havia no quarto, fecho o meu notebook e retiro os vários documentos que estava analisando para o trabalho amanhã. Mesmo que não tenha o controle sobre as empresas no Sudão e nem nos Restaurantes Suíça, que minha mãe abriu para ficar próximo a mim durante a minha infância. Ainda assim, era um dos herdeiros e precisava mostrar que sou merecedor da confiança de todos novamente.
Puxo a cadeira para que a esposa do senador americano possa sentar e me dizer o que ela estava fazendo ali em meu quarto aquela hora da noite, já que hoje é o aniversário da filha e, pelo que todos assistimos, ela acabou de ficar noiva.
— Sinto muito por não insistir com a sua mãe em relação à sua aproximação de Hope. — Sento lentamente com os olhos na mulher à minha frente.
— O que a senhora veio fazer aqui? E como conseguiu me achar? — Pergunto um pouco mais nervoso.
Sei que a pergunta é meio sem sentido, já que, para nós, o nosso desejo se torna realidade. Com certeza, meu carro foi seguido e meus seguranças não perceberam que havia alguém logo atrás de mim.
— Quero saber se algo mudou desde a noite daquele vídeo? — Sua pergunta foi direta.
Olho para a mulher que é tão semelhante à garota por quem me apaixonei e decidi ser o mais sincero que posso, ela está aqui por algum motivo.
— Quando descobri sobre o vídeo, me senti o pior homem que existe, não imaginei que alguém iria filmar e soltar na web… — Digo envergonhado. — Quando a encontrei, queria pedir perdão, estava envergonhado pelo que fiz…
Ouvimos uma batida na porta e peço a Allah que dessa vez seja o serviço de quarto, estou ficando nervoso outra vez. Olho para ela e a vejo menear a cabeça.
Vou em direção à porta e abro para que o serviço de quarto deixe o meu chá na mesa onde estava com a mãe de Hope. Ela olha para o bule e sorri. Entrego uma gorjeta para o funcionário do hotel que sai em silêncio.
Por sorte, havia dois conjuntos de xícaras, já que Pietra estava aqui quando pedi. Não que ela goste de tomar chá, mas sempre me acompanha, uma vez que não bebo mais bebida alcoólica, já tive bastante exemplo de que tudo pode dar errado.
— Aceita? — Pergunto.
— Por favor, nosso assunto não é longo, mas neste momento quero um pouco desse chá, sinto saudade! — Ela diz com um sorriso no rosto.
— Como dizia, com uma certa ajuda dos meus pais, percebi o quanto magoei e feri os sentimentos da Hope. — Confesso a sua mãe. — Nos últimos anos, amadureci e tentei me aproximar para pedir perdão e tentar conversar.
— Sim, eu sei! — Senhora de Luca diz e sorri como se escondesse algo. — O que diria se te falasse que me esforcei muito para evitar essa aproximação?
Engasgo-me com a informação, devolvo a xícara de chá para a mesa e tento encontrar apoio para o que acabei de ouvir. Começo a ligar vários pontos e realmente sempre, quando tentei me aproximar dela, a via se afastando, mas não tinha certeza se a Hope havia me visto.
A não ser hoje, nossos olhares se fixaram, ela me viu ali e me reconheceu. Tenho certeza disso.
— Amo a minha filha e adoro o Guilherme, ele é um rapaz de ouro, mas sabemos que ele não a ama. Neste momento, não faço ideia do que eles aprontaram para aquela cena acontecer. — Ela diz tranquilamente.
Estreito os olhos e observo que havia alguma confusão na mente da mãe de Hope, ainda não entendo o que ela realmente veio fazer aqui, baixo o olhar para minha xícara com os pensamentos em um turbilhão, talvez ela queira que…
Com a possibilidade do pensamento que tenho, ergo o meu olhar que se encontra com o da senhora de Luca e um sorriso sutil surge em seus lábios.
— Diminuirei a vigilância, apenas se me garantir que não é mais o canalha que aparentou ser naquela noite! — Ela exclama.
— Senhora de Luca, o soco que Hope me deu foi o que fez os meus sentimentos por ela mudarem! — Lhe dou um sorriso convencido.
Vejo a mulher à minha frente ter uma crise de riso, algo que a deixou bonita e tentei imaginar Hope da mesma forma, leve e descontraída. Totalmente diferente da mulher que via com um olhar entristecido e magoado por minha causa.
— Ela quebrou dois dedos com aquele soco e passou um tempo com a mão imobilizada! — Ela afirma.
Me surpreendo em ouvir aquilo, já que depois do incidente foi o período que mais fiz de tudo para ter notícias dela e em nenhuma soube que havia machucado a mão.
— O que deseja de mim, de verdade, senhora de Luca? — Preciso que ela seja clara.
Não posso mais viver com fatos encobertos, histórias ditas pela metade e tão pouco ideias mal contadas, basta a minha mãe que viveu uma vida de meias histórias e meias verdades. Viver por anos às escondidas e conhecer meus irmãos apenas nos períodos de férias escolares me deixou por muito tempo revoltado.
Sempre me senti como o filho que existe apenas para que meus pais vivessem o amor que sentem um pelo outro. Minha adolescência foi caótica, sentia uma raiva dentro de mim incontrolável. E aproveitar os sabores da carne foi como consegui feri-los da mesma forma como me sentia pelos anos que fui escondido.
— Estou lhe dando a oportunidade de tentar conquistar a minha filha, descobrirei o que houve e direi a sua irmã Laís! — Fico surpreso.
Sinto a minha respiração acelerar ao ouvir a senhora de Luca me entregando uma oportunidade que não esperava receber nunca em minha vida. Ainda mais por saber que meus pais se opuseram a qualquer aproximação minha de Hope ou até mesmo da família de Luca.
— Por quê? — A curiosidade borbulha em minha cabeça.
A vejo sorrir, bebendo um último gole de seu chá e se ergue na minha frente.
— Obrigada pelo chá! — É tudo o que ela diz.
Alessa de Luca recolhe a pequena bolsa de mão, a vejo esperando pacientemente a educação que sabe que recebi. Fico em pé para abrir a porta para que a minha visita inesperada possa se retirar.
— Não há de quê! — Digo curvando a cabeça.
Abro a porta e vejo os agentes do serviço secreto se comunicando com alguém e ficam em prontidão para retirar a mãe de Hope do hotel. Estou ansioso e agora ainda mais cheio de questionamentos sobre o que está acontecendo.
De frente para ela, estendo a mão para receber a sua e poder beijar em cortesia por sua visita. Ela sorri e me entrega com delicadeza, colocando sobre a minha.
— Minha filha foi criada para ser a sua esposa, ela conhece seu idioma e costumes, naquele dia você partiu um diamante. — Vi a tristeza em seu olhar. — Estou dando a você a chance de lapidar novamente algum fragmento que sobrou de uma Hope Al-Makki que deveria existir.
Será que posso ainda conseguir conquistar a mulher por quem me apaixonei, a mulher que magoei por ser um canalha aproveitando a sua juventude?
Observo enquanto ela sai do meu quarto e entrega a bolsa que estava segurando para um dos agentes e confirma que já podem ir. Continuo na porta sem acreditar que acabei de receber a visita de uma fada madrinha, me dando o poder de tentar reconquistar a mulher que machuquei no passado.
Vejo a senhora de Luca dar alguns passos em direção ao elevador e virar em minha direção novamente.
— Quatro anos é tempo o suficiente para que vocês dois saibam o que realmente desejam. Laís acredita que está pronto para a minha filha e eu acredito que a minha filha ainda te ama, alteza. — Ela diz com um sorriso no rosto. — Prometa que fará a minha filha feliz e que ela será a única em sua vida, príncipe Al-Makki.
Essa é a primeira vez que um membro da família de Hope me trata pelo título. Sorrio pelo reconhecimento e coloco a mão em meu peito para poder me curvar levemente em sua direção. Como sinal do meu compromisso com a minha futura sogra.
— Prometo que Hope será a minha única esposa e a única mulher em minha vida, lutarei duas vezes mais para tê-la ao meu lado. — Digo com convicção cada palavra que acabei de proferir.
— Quando vocês se entenderem, entregarei algo que lhe pertence. — Diz antes de se virar e partir.
"Eu amo a minha filha e adoro o Guilherme. Ele é um menino de ouro, mas sabemos que não a ama. Neste momento, não faço ideia do que é que eles prepararam para que esta cena acontecesse", diz em voz baixa.
Aperto os olhos e reparo que há alguma confusão na mente da mãe de Hope. Ainda não percebo o que ela está realmente a fazer aqui. Olho para a minha chávena, os meus pensamentos estão num turbilhão, talvez ela queira que eu...
Com esta possibilidade em mente, levanto o olhar e encontro o de Madame de Luca, com um sorriso subtil a formar-se nos seus lábios.
"Reduzirei a vigilância, mas só se me garantires que já não és o sacana que parecias ser naquela noite!" exclama ela.
Quer conhecer todas as minhas histórias?







