POV. Lira
Sou acordada antes do sol nascer, o que já seria crime em qualquer lugar minimamente civilizado, por uma senhora de expressão gentil que simplesmente surge no meu quarto como se eu fosse uma pessoa funcional às cinco e pouca da manhã.
Ela abre a cortina com uma delicadeza irritante, deixando entrar aquele fio miserável de luz azulada do quase‑amanhecer, e diz, num tom doce que não combina em nada com a violência de tirar alguém da cama nessa hora:
“Acorde, senhorita, senão vai perder