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SOL
ANTES
Quando fiz dez anos, descobri o racismo. Eu era uma menininha gordinha, negra, com cabelos trançados, já era alta e sempre andava arrumadinha, “pobre, mas arrumada”, mamãe dizia, e limpa.
Meu pai era o homem mais forte que eu conhecia, mas sempre que me via sair de casa, dizia, “seja educada, paciente e fale baixo, seja sempre mansa, não discuta, mesmo certa, apenas venha até mim, eu resolvo”, e eu não entendia.
Eu não entendia o porquê nos seguiam nos mercados, mesmo bem arrumados