André passou a noite andando pelo quarto do hotel.
O espaço era pequeno demais para a raiva dele. A cama estreita, a mala aberta, as roupas jogadas, o cheiro de produto barato no banheiro, tudo parecia uma ofensa pessoal. Ele, que tinha se acostumado rápido ao conforto da casa de Clara, agora estava preso em um quarto abafado, contando dinheiro, apagando mensagens e tentando convencer a si mesmo de que ainda tinha controle.
Não tinha.
E começava a perceber.
O celular ficou sobre a cama por algu