André não dormiu.
O quarto do hotel parecia encolher a cada hora. O ar era abafado, a cama desconfortável, o barulho dos carros na rua entrava pela janela mal vedada. Nada ali lembrava a vida que ele tinha tentado tomar para si.
A casa de Clara tinha cheiro de comida, espaço, conforto. Tinha um sofá grande, uma geladeira abastecida, uma criança que o olhava com afeto quando ele queria parecer melhor do que era. Tinha, acima de tudo, acesso.
E agora ele não tinha nada disso.
O celular estava em