Helena Evelyn
Tudo estava maravilhoso na casa noturna e, depois de um tempo sentada observando tudo, olhei para Ketley e falei:
— Vamos pra pista de dança, amiga. Você ainda não dançou nenhuma vez, só eu já me acabei lá embaixo. Agora é a sua vez de enlouquecer esses homens.
Ela riu, meio tímida.
— Não sei dançar essas coisas direito, Helena… quer dizer, Valentina.
— E quem disse que precisa saber? — pisquei. — É só sentir a música. O resto o corpo faz sozinho.
Descemos para a pista e eu já conhecia o caminho. O som batia no peito, as luzes cortavam o escuro e, assim que chegamos, puxei Ketley mais para o meio, onde a multidão estava mais animada. Eu já estava solta há tempos, mas agora queria ver minha amiga se libertar também…
Ketley começou tímida, mexendo o corpo só um pouquinho. Já eu deixei a música entrar e tomar conta. Sempre foi assim: desde a roça, desde os forrós improvisados no terreiro de chão batido, meu corpo entendia o ritmo antes da cabeça. Eu dançava pra esquecer da