ARTHUR NARRANDO
Eu sempre gostei do silêncio daquela sala. O tique-taque do relógio antigo na parede, o cheiro amadeirado dos móveis envelhecidos, o som distante dos bichos do campo. Era um lugar onde eu pensava melhor , e onde eu quase sempre evitava falar do que sentia.
Anderson estava sentado à minha frente, os olhos fundos de quem voltou com mais peso do que quando foi. Não era só saudade, era algo que ele não falava, mas que dançava nos gestos, na postura, na forma como evitava me encarar