A luz alaranjada do entardecer atravessava o vidro da janela, desenhando a sombra esguia de Henrique sobre a minha mesa. O silêncio do trigésimo andar, agora deserto, pesava entre nós como uma lâmina afiada. Ele permanecia de pé, com a pasta de couro na mão, mantendo aquele ar de expectativa controlada que me deixava em alerta constante.
Ajeitei a postura, recusando-me a transparecer qualquer hesitação.
— Cheguei — respondi, sustentando o olhar dele. — Se é para funcionar exclusivamente no camp