Saí do quarto e dei de cara com ele, largado na poltrona, rindo sozinho pro celular.
Senti na hora. A malícia daquele sorriso, a mentira.
O gosto amargo da traição antes mesmo de ter certeza.
Fingir bater a porta, pra que ela fizesse barulho e assim que ele me viu, bloqueou a tela rapidinho e fingiu me ver agora.
Levantou e veio até mim, com aquele sorriso idiota que antes me fazia derreter... agora só me dava nojo.
— Nossa, que cheirosa...
ele murmurou, se enfiando no meu pescoço.
Meu corpo travou. Eu não queria.
Não queria aquele toque, aquele cheiro, aquela mentira colada em mim.
Me obriguei a não empurrá-lo. Mas juro... foi difícil.
— Tô com fome.
disfarcei, fingindo um sorriso forçado.
— Vamos jantar?
Ele quis fazer charme. Disse que era melhor comer no quarto, só nós dois, que o resto do mundo que se explodisse.
Eu não.
Eu não ia me esconder. Eu não ia me sujar ainda mais me misturando às mentiras dele.
— Se quiser comer aqui, fique. Eu vou descer.
largu