capítulo 7

Saí do quarto e dei de cara com ele, largado na poltrona, rindo sozinho pro celular.

Senti na hora. A malícia daquele sorriso, a mentira.

O gosto amargo da traição antes mesmo de ter certeza.

Fingir bater a porta, pra que ela fizesse barulho e assim que ele me viu, bloqueou a tela rapidinho e fingiu me ver agora.

Levantou e veio até mim, com aquele sorriso idiota que antes me fazia derreter... agora só me dava nojo.

— Nossa, que cheirosa...

ele murmurou, se enfiando no meu pescoço.

Meu corpo travou. Eu não queria.

Não queria aquele toque, aquele cheiro, aquela mentira colada em mim.

Me obriguei a não empurrá-lo. Mas juro... foi difícil.

— Tô com fome.

disfarcei, fingindo um sorriso forçado.

— Vamos jantar?

Ele quis fazer charme. Disse que era melhor comer no quarto, só nós dois, que o resto do mundo que se explodisse.

Eu não.

Eu não ia me esconder. Eu não ia me sujar ainda mais me misturando às mentiras dele.

— Se quiser comer aqui, fique. Eu vou descer.

largu
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