O fogo subiu à garganta, o calor do dragão latejando sob minha pele. Respirei fundo, tentando conter a transformação. As veias pulsavam, negras e quentes. Minhas unhas alongaram-se em garras, e o ar ao meu redor pareceu vibrar em faíscas incandescentes.
“Não ouse falar sobre a minha prometida dessa forma, sua criatura primitiva e imatura! NEREIA É A NOSSA PROMETIDA!”
Abaixo, vi alguns alunos cruzando os pátios, gargalhando, vivendo suas vidas insignificantes, sem saber que, se eu soltasse o mínimo fragmento do que me consome, a terra inteira ao redor queimaria.
“Vai permitir que ela o esqueça? — disse Palius, com um prazer cruel. — Que ela se jogue para outro macho, que se deleite no prazer com um lobo enquanto o chama pelo nome?”
A visão de Neréia com Kael me atravessou como um espinho. O lobo a tocando, respirando o cheiro dela, ouvindo os gemidos que deveriam ser meus. Sua pela branca como a neve, violada pelas marcas das patas daquele cachorro nojento, seu corpo pequeno e macio, v