P.D.V de Kayla
O escuro me envolvia como um véu sufocante. Eu corria, mas não sabia para onde. O chão sob meus pés mudava a cada passo — ora grama molhada, ora pedra fria, ora madeira que estalava como se fosse se partir. Meus pulmões queimavam, mas eu não parava. Algo estava atrás de mim. Não conseguia ver, mas sentia sua respiração: lenta, profunda, ameaçadora, sempre no meu encalço.
Um uivo rasgou a noite. Cortante, triste, mas também furioso. O som me atravessou como um raio, e um arrepio gélido percorreu minha espinha. Meus olhos procuraram a origem, mas tudo o que encontrei foi o brilho prateado-azulado de um par de olhos emergindo da escuridão. Fixos em mim. Chamando por mim.
“Me encontre…”
A voz soou dentro da minha mente. Não era a minha. Era mais profunda, selvagem, carregada de um instinto primitivo que eu não compreendia.
Tentei gritar, mas minha boca não se abria. Era como se algo tivesse costurado meus lábios. O ar falhava em minha garganta, e o desespero me sufocav