Capítulo 9

O despertador me acorda ás oito da manhã. Mas dessa vez eu estou ótima. Minha noite ontem foi muito boa, e minha noite de sono também. Tenho que reconhecer que Liam Jones é muito bom de cama! Mas sem querer me render aos meus pensamentos impuros, me levanto rapidamente e vou pro banheiro. 

Visto um short jeans, uma blusa branca com uma frase aleatória e um tênis nos pés. Prendo meu cabelo em um rabo de cavalo. Vou até a cozinha e faço um sanduíche para o meu café da manhã e como sem pressa. Quando termino volto pro meu quarto para pegar uma mochila com algumas roupas. Coloco o meu óculos de grau e saio de casa, indo até a garagem e entrando em meu carro. Após me ajeitar no carro vermelho eu ligo o mesmo e dou a partida em direção a cidade vizinha, Doncaster, onde eu nasci.

Ligo o som do carro na minha playlist favorita e entro no clima das músicas.  Batuco os dedos no volante e cantarola as músicas baixinho.

Once upon a younger year. When all our shadows disappeared. The animals inside came out to play. Went face to face with all our fears. Learned our lessons through the tears. Made memories we knew would never fade. One day my father, he told me. Son, don't let it slip away. He took me in his arms, I heard him say. When you get older. Your wild heart will live for younger days. Think of me if ever you're afraid. He said: One day you'll leave this world behind. So live a life you will remember. My father told me when I was just a child. These are the nights that never die. My father told me... - Canto uma das minhas músicas preferidas, The Nights do Avicii.

(Uma vez, em um ano mais novo. Quando as nossas sombras desapareceram. E os animais interiores saíram para brincar. Ficamos cara a cara com todos os nossos medos. Aprendemos as lições através das lágrimas. Construímos memórias que sabíamos que nunca desapareceriam. Um dia, meu pai me disse. Filho, não deixe as chances escaparem. Ele me segurou em seus braços, eu o ouvi dizer. Quando você ficar mais velho. Seu coração selvagem viverá pela juventude. Pense em mim se algum dia sentir medo. Ele disse: Um dia você deixará este mundo para trás. Então, viva uma vida da qual você irá se lembrar. Meu pai me disse, quando eu era apenas uma criança. Estas são as noites que nunca morrerão. Meu pai me disse...)

O meu caminho seguiu nesse ritmo. Após cerca de duas horas eu estava passando pela entrada de Doncaster. Não demorou muito para mim entrar na rua da minha casa, onde morei por toda a vida antes de me mudar pra Londres. A casa de tijolinhos avermelhados de dois andares estava a mesma, e apesar de ter somente três semanas que eu vim aqui pela última vez eu já estava sentindo uma falta enorme.

Estaciono o carro na frente da garagem e desço após pegar minha mochila. Sem nem dar tempo de tocar a campainha da casa a porta se abre e uma ruiva maluca sai correndo de lá e pula em meu colo, me fazendo dar alguns passos pra trás para manter o equilíbrio e não cair no chão.

- Pequena!!! - Digo empolgada.

- Pequena uma ova, Sophia. - Rio dela. - Estava com saudades de você!

- Eu também estava laranjinha. - Solto ela. - Você tá pesada.

- Você que está uma velha que nem me aguenta mais. - Ela resmunga e eu faço uma cara de deboche.

- Você é seis anos mais nova que eu somente, feiosa. - Rimos.

- Nunca mais fique tanto tempo sem vir me ver! - Ela me ameaça colocando o dedo na minha cara e eu me surpreendo.

- Foram só três semanas. - Me defendo e ela se aproxima mais.

- Você me prometeu que viria todos os finais de semana. - O bico que ela faz deixa meu coração pesado de culpa mais uma vez.

- Eu realmente tive que trabalhar, laranjinha. Mas juro, de dedinho, que vou tentar vir mais vezes, mesmo se tiver plantão na delegacia. - Estico o dedo mindinho pra ela e ela faz o mesmo.

- Te dou um gelo de silêncio por um mês se não cumprir isso em?! - Ela me ameaça novamente e eu concordo, mas começamos a rir. Abraço ela de lado.

- Senti tanto a sua falta menina maluquinha. - Bagunço seu cabelo e recebo um tapa. - Ai chata.

- Te amo.

- Também te amo.

- Filha!! - Olho pra minha mãe que acabou de chegar na porta e solto Sarah para ir abraçar a ruiva mais velha. - Que bom que veio meu amor!

- Sim mamãe. Só vou embora amanhã de noite. - Ela assente sorrindo.

- Vou começar a preparar o almoço. As duas vão me ajudar. - Ela empurra a gente pra dentro de casa e fecha a porta.

Sinto o cheiro de canela aconchegante que eu tanto amo e respiro fundo. Aqui é meu lar, sempre!

- Vai fazer o que de almoço mãe? - Sarah pergunta seguindo nossa mãe até a cozinha.

- Macarrão ao molho branco com filé de frango grelhado.

- OBRIGADA MAMÃE!!! - Agarro seu pescoço em um abraço bem carente e ela ri. - Minha comida favorita!

- Eu sei disso. Por isso vou fazer.

- Você é a melhor mãe do mundo!!!

- Você só tem eu, marmota! - Solto ela e rimos. - Bem, mãos à massa garotas!

Começamos a preparar o nosso almoço enquanto a gente colocava os assuntos em dia. 

- Eu estou estudando muito, não aguento mais. - Sarah, minha irmã mais nova reclama. 

- Já decidiu que curso quer fazer?- Pergunto enquanto corto os bifes pra minha mãe. 

- Estou pensando em Jornalismo... - Ela diz um pouco pensativa.

- Eu acho que seria um ótimo curso pra você, até porque você fala demais e não tem vergonha de nada. - Falo e mamãe ri. 

- Sarah não tem papas na língua, isso sim. Mas também acho que é um curso que combina com você filha. - Mamãe fala controlando as risadas. 

- Da pra parar de falar mal de mim aqui?! Eu estou escutando tudinho. - Ela revira os olhos azuis semelhantes aos meus e eu lhe dou um beijo na bochecha. 

- E como estão as coisas no hospital mãe? - Pergunto. 

A minha mãe é Pediatra e possui o próprio consultório, mas faz partos no hospital. Ela ama a profissão e sempre conta pra nós sobre os partos que faz, como era o bebezinho, essas coisas. A gente gosta de ouvi-la falar sobre isso. 

- Estão boas. Fiz dez partos normais essa semana. Teve um bebezinho ruivo ontem, me lembrei de vocês na hora! - Ela fala empolgada. - Também teve uma menininha morena com os olhos iguais jabuticabas, tão linda! 

E então a gente se empolgou falando dos partos que a nossa mãe fez esses dias e ela descreveu os bebês pra gente, muito fofo. 

- Mas e você Soph? - Olho pra minha mãe. - Nada de namorados? 

- Sophia não namora mãe. - Sarah responde por mim e eu sorrio, boa menina. 

- Porque? 

- Porque ela gosta de transar e não namorar. - Engasgo com a água que eu estava tomando. 

- Como...? - Nem consigo formular uma pergunta. 

- Sophia, você só fica de lingerie em seu apartamento, nunca levou nenhum homem até la e muito menos apresentou pra gente. Fora que tem umas marcas de chupão no seu pescoço. - Ela aponta pra região atrás da minha orelha e dispara a rir. Eu estou um pouco constrangida. 

- A noite foi boa Soph? - Mamãe pergunta com um sorriso malicioso. 

- Mãe! - Repreendo ela, mas o olhar que as duas ruivas me lançam me fazem responder. - Foi ótima. 

- Quem é? Você sabe o nome dele pelo menos né?! - Sarah indaga um pouco desesperada. 

- Sei sim, mas não vou dizer pra vocês. Só transamos dois dias e bem, ele é bombeiro. - Sorrio de canto ao me lembrar de Liam chupando minha intimidade ontem. Socorro. 

- PEVERTIDA! Mãe ela ta pensando na transa deles! - Sarah fala rindo muito e eu me faço de inocente. 

- Sophia, no que você esta pensando? - Mamãe pergunta nitidamente curiosa. 

- Pensei nele me chupando, só isso. - As gargalhadas minhas e de Sarah invadiram a cozinha, e elas só se intensificaram quando vimos a cara de horror da nossa mãe. 

- Vocês são loucas? - Ela diz meio em choque ainda. 

- Você deveria provar mamãe, é muito bom! - Sarah fala me fazendo olhar de boca aberta pra ela. 

- Você...? 

- Já ué. Sou sua irmã Sophia. - Ela da de ombros e mamãe parece que congelou. 

- Estou horrorizada! É melhor vocês se protegerem bem, pois não estou a fim de fazer o parto das minhas filhas agora. - Ela suspira e vai beber um pouco de água. 

- Mas acho que você realmente precisa provar mãe. - Sarah insiste e mamãe vira um olhar matador pra ela. 

- Quem disse que eu nunca provei? - Foi a nossa vez de olhar chocadas pra ela. - Eu sou mais velha que vocês queridas... 

- COM QUEM FOI? QUANDO? - Sarah, a escandalosa, grita a minha curiosidade também. 

- Tem alguns meses... - Ela desvia o olhar, e sei que só faz isso quando esta mentindo, afinal, eu e Sarah fazemos a mesma coisa. 

- Mamãe...- Repreendo ela e a mesma suspira pesado. 

- Foi essa semana. 

- Com quem???- Sarah e eu perguntamos juntas. 

- Olha eu esperava falar disso com vocês mais tarde, e não achei que perguntar sobre os namoradinhos da Sophia pudesse virar esse assunto pra mim. - Olho pra minha irmã.

- Você esta namorando dona Mary? - Pergunto começando a me empolgar. 

- Estou meninas. Ele é um cirurgião do hospital, se chama Paul, é muito fofo e carinhoso comigo. - Ela suspira e eu e Sarah vamos ao seu encontro super felizes e a abraçamos. 

- Estamos felizes por você mãe, espero que ele te faça muito feliz. E quando estiver pronta chame ele para jantar conosco. - Digo deixando um beijo na bochecha dela, assim como a ruiva do outro lado. 

- Obrigada pelo apoio meninas. - Ela olha pra gente e para seu olhar em mim. - Espero pelo dia que vou conhecer um namorado seu. 

- Ah espere sentada, porque de pé você cansa. - Digo e as duas riem. 

- Sarah, você não vai escapar da gente garota! 

Após muitas risadas e conversas finalmente terminamos o almoço e saboreamos a comida incrivel da minha mãe. Sarah acabou dizendo pra gente sobre suas experiências sexuais e recebeu concelhos de mim e da mamãe. Eu amo a nossa relação, sempre podemos contar abertamente umas pras outras sobre nossas vidas, apesar que temos sim nossos segredos, mas no meu caso eu só omito o que é irrelevante. Amei o fato da mamãe estar namorando! Ela merece um homem que a trate bem e a apoie sempre. 

Um homem que seja o oposto do nosso pai. 

O cara que forneceu seus espermas pra minha mãe, pois foi isso que ele fez, ja que nem ao menos criou a gente, era um babaca completo. Não me lembro de muitas coisas, mas é o suficiente pra mim não querer me relacionar com nenhum homem. Eles simplesmente não merecem uma mulher apaixonada em seus pés pois pisam nela. 

[...]

- Eu quero assistir Para Todos Os Garotos Que Já Amei. - Sarah fala cruzando os braços, ela é birrenta as vezes. 

- Mas eu odeio romances Sarah! - Rebato mais uma vez. 

- Só hoje Sophiiiaaa. - Ela faz um bico e pisca seus olhos azuis brilhantes em minha direção. - Você precisa de uns romances na vida, é muito sem sentimentos. 

- Quem disse que eu sou sem sentimentos?! Eu amo vocês duas. - Aponto pra ela e mamãe que estava na poltrona. Opa, poltrona... fica quieta mente pervetida. 

- Você precisa amar outras pessoas. 

- Não preciso não. Eu gosto muito dos meus amigos, mas amar é uma palavra muito forte. Amo somente vocês duas. - Digo e volto a me reencostar no sofá. 

- Okay chata. 

- Coloca esse filme mesmo então. - Bufo e ela aperta o play do filme sorrindo alegremente. 

Durante o filme a gente dividiu o pote de pipocas e o refrigerante. Acabamos jantando depois o que sobrou do macarrão do almoço. Ajudamos mamãe a retirar a mesa e lavar as louças. 

- Boa noite minhas meninas laranjinhas. - Esse é o nosso apelido de infância. Ela da um beijo na testa de nós duas e após a gente também se despedir dela, mamãe vai pro seu quarto dormir. 

- O que quer fazer? Tô sem sono. - Pergunto pra mais nova e ela sorri após pensar por alguns segundos. 

- Vamos tirar fotos? Tem muito tempo que não tiramos. 

Acabo concordando com ela e pego meu celular pela primeira vez no dia para tirarmos as fotos. Fazemos várias poses e acabo postando no i*******m a minha preferida, onde Sarah esta fazendo um biquinho e eu estou mais séria.

- Ficou linda! - Sarah diz olhando a minha publicação. - Estou parecendo sua irmã gêmea. 

- Credo, nem brinca com isso. - Rimos. - Mas você é muito parecida comigo mesmo, e agora está quase do meu tamanho já. 

- Sou um centímetro maior que você Soph. - Ela se gaba e eu sorrio. 

- Eu tenho somente 1,66 de altura. Grande bosta você ter 1,67. - Reviro os olhos e ela me mostra a língua. - Sério que você tem 18 anos? 

- Consta na minha certidão de nascimento que sim. 

Após rirmos e conversarmos mais um pouco decidimos que era hora de dormir. E como boas irmãs grudentas que somos, dormimos juntas. 

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