POV: VANESSA
O som da tranca pesada do furgão de remoção médica abrindo por fora foi o som mais bonito que ouvi em toda a minha vida.
Quando a tampa do caixão de zinco lacrado foi destravada e o ar denso, úmido e com cheiro de maresia do galpão de Setúbal invadiu os meus pulmões, eu soube que tinha vencido. Sentei-me de chofre na estrutura de metal, tossindo um pouco por causa do resíduo de potássio que ainda flutuava na minha corrente sanguínea, mas com um sorriso doentio, cínico e triunf