Imperfeita Para O Mafioso - Valentina Kuhn
Eu não sentia os pés. Ou o tempo. Ou o ar que passava pelos meus pulmões de forma rasa, como se estivesse tentando não deixar nenhuma marca visível da merda em que eu tinha me enfiado.
A porta ainda estava entreaberta.
Mas o que estava escancarado mesmo era o som do que tinha acabado de acontecer. A respiração presa. O calor. O toque. O gosto.
Daniel Luzhin.
Eu queria esquecer. Apagar. Deletar aquilo da minha pele, da minha boca, do meu corpo que ainda tremia com a lembrança maldita do que quase tinha sido — ou pior, do que eu queria que tivesse sido. Ele era o perigo encarnado, e eu? A idiota que sempre teve um gosto péssimo pra tudo que não devia nem tocar.
Mas o que me assustava de verdade não era isso.
O que me assustou foi o fato de Irina — que até agora só tinha me tratado de forma gentil — ter me mandado embora de um jeito tão gélido, tão… autoritário.
Porque eu preferia gritos do que silêncio. Eu sabia lidar com raiva, com escândalo,