A última nota da canção se dissolveu no ar, suave, como um suspiro que se recusa a desaparecer. Maria Clara manteve os dedos sobre as teclas por alguns instantes, o olhar perdido, o peito subindo e descendo lentamente, como se ainda estivesse presa à melodia.
O silêncio que se seguiu não era comum. Havia nele um peso estranho, uma presença invisível.
Ela ergueu o rosto devagar e sentiu um leve arrepio percorrer-lhe os braços. O luar continuava a banhar a sala. Maria Clara voltou-se instintivame