* Ana
A casa estava escura e silenciosa quando entramos. Marcos fechou a porta com cuidado, girou a chave e ficou alguns segundos de costas pra mim, como se estivesse reunindo coragem — ou se controlando. Eu tirei o salto, deixei a bolsa cair no sofá e fiquei parada no meio da sala, ainda sentindo o efeito da bebida e o formigamento do quase-beijo que tinha acontecido horas atrás.
Ele se virou.
— Quer água? — perguntou, a voz mais baixa que o normal.
— Quero.
Foi até a cozinha. Ouvi o barul