LENA VAI EMBORA
Puxei o zíper de uma ponta à outra. O barulho de metal raspando foi o único som no quarto.
A mala de couro preta aberta em cima da cama — a mesma que eu tinha largado no piso da biblioteca semanas atrás, quando cheguei achando que ia durar seis meses e sair inteira. Daquela vez a voz dele rouca pedindo pra eu ficar quebrou as minhas pernas. Eu cedi.
Dessa vez minha mão estava firme.
Deixei os vestidos de seda italiana intocados nos cabides. As caixas de joias trancadas na gaveta