Lizandra
— Há quanto tempo você estava me observando? — perguntou, sem dureza, mas com um tom que me fez engolir em seco.
Abri a boca para responder, mas nenhuma palavra saiu. Meu silêncio pareceu dizer mais do que qualquer confissão. Seus dedos permaneceram no meu rosto, o polegar roçando de leve meus lábios, como se ele precisasse daquele toque tanto quanto eu.
— Você faz ideia do que isso faz comigo? — murmurou, mais para si do que para mim.
Minhas mãos permaneceram imóveis ao meu lado, e meu corpo, traidor, inclinado levemente em direção ao dele.
Fernando levou as mãos até o meu cabelo com cuidado e soltou o coque frouxo devagar que prendia os meus cabelos, como se quisesse sentir cada mecha escapar entre os dedos. Meu couro cabeludo arrepiou quando ele passou a mão pelos fios, e percebi o peso do olhar dele descendo, atento, intenso, como se tocasse meu corpo com os olhos.
Eu vestia um vestido branco de tecido leve, curto, e o ar da noite parecia mais quente de repente.
— Não dá