Julian Thorne
Minhas mãos, que já assinaram tratados comerciais que moveram nações e controlaram impérios bilionários sem um único tremor, agora oscilavam violentamente enquanto eu segurava o pequeno aparelho de metal e vidro. O frio do campo parecia ter penetrado meus ossos, mas o calor que emanava daquela tela era o que me desestabilizava.
Eu olhei para a imagem. O tempo parou. O som do vento nas árvores, o murmúrio dos convidados, até a respiração pesada de Elijah ao meu lado... tudo desapareceu.
Lá estava ela.
Não era a "Helena Cruz" que Mia mencionava. Era a minha Helena. O rosto que eu via todas as noites ao fechar os olhos por trinta longos e agônicos anos. A mesma curva suave do nariz, o brilho desafiador nos olhos que parecia zombar da própria luz do sol. Mas ela estava em um parque comum, usando roupas simples, longe dos bailes e da seda que eu queria ter dado a ela.
Senti a primeira lágrima quebrar a barreira da minha compostura, traçando um sulco quente pela minh