Capítulo 3

Estávamos no estacionamento do shopping, eu reconhecia aquele lugar, mas segui confusa ao seu lado enquanto ele se dirigia ao elevador, Simon se recostou de frente pra mim, do outro lado do cubículo, me observava com uma cara de quem planejava aprontar.

Tentei do melhor jeito perguntar o que ele estava pensando, mas de forma um pouco desajeitada eu consegui transmitir a mensagem.

- Estou pensando, tenho que te levar para vários lugares, espero que esse shopping tenha o que eu procuro - o plin do elevador me cortou de perguntar mais alguma coisa.

Simon segurou minha mão e me puxou para o maior salão de beleza que tinha no local, já havia visto nas vezes que eu visitara o shopping, mas nunca havia cogitado a ideia de chegar próximo a porta, já que era caríssimo.

- Bom dia, como posso ajudar o casal? - perguntou uma moça muito simpática.

- Minha garota precisa de uma transformação, como você gostaria de fazer o seu cabelo, querida? Talvez um corte e uma tintura?- disse ele de uma forma que me dizia que ele sabia que iria apanhar depois.

Fiz que sim com a cabeça, a moça bateu palminhas e me levou para uma das cadeiras, arqueei uma sobrancelha para ele, que me ignorou completamente.

- Vou sair rapidinho, já volto - disse me dando um beijo na bochecha e saindo do salão como um raio.

"Ele me paga" pensei enquanto a moça começava a tagarelar e pentear meu cabelo, dizendo que tinha um corte perfeito, e uma cor que iria realçar minha beleza.

Eu realmente iria matá-lo.

Cerca de quatro horas mais tarde, e depois de muito puxar, alisar e quase queimar minha cabeça, eu estava pronta, e tinha ficado incrível, o castanho escuro tinha fios dourados e loiros, estava macio e com pouco volume, estava em cima do ombro, roçando com delicadeza, eu estava com um "ar" de mulher poderosa, ri internamente desse comentário.

- Uau, você está linda - me virei com a voz grossa de Simon soando próximo ao meu ouvido - agora vamos para a próxima etapa.

Alarmada, fui puxada antes de conseguir encontrar o papel para escrever alguma coisa.

- Tchau, Paola - disse ele acenando para a atendente.

- Até logo, senhor Simon - disse sorrindo com um rubor cobrindo as bochechas.

Espera...a gente saiu sem pagar? Deveria ter custado uma fortuna, provavelmente o meu salário todo.

Sem mais, ele me puxou para outra loja, a de grife mais cara da cidade, eu sabia que ele tinha dinheiro, mas precisava gastar tanto assim?

- Oi, Clarice, essa jovem e bela moça precisa de roupas novas, de todos os tipos, vou deixá-la nas suas mãos competentes - disse Simon me atirando na vendedora, uma ruiva voluptuosa e escultural, caramba a mulher era linda, elegante e sorridente.

- Olá, Simon, pode deixar comigo - disse ela com a voz melodiosa - Oi, como é seu nome?

- Ah, essa é a Jess, nossa amiga teve um acidente, e não consegue falar, então vai te auxiliar com gestos e se você tiver algum papel, por meio dele - disse Simon por mim, enquanto eu sorria sem graça tentando me encolher dentro de mim mesma - quero ver todas as combinações, estarei esperando aqui ao lado do provador.

Coloquei várias roupas, de tons diferentes, tecidos diferentes e cortes diferentes, todas couberam perfeitamente no meu corpo com uma elegância absurda, cada peça daquele lugar era no mínimo 3 dígitos, mas todas que eu mostrava, Simon dizia que iria levar, e ignorava veementemente o meu não com as mãos, o último "look" era um vestido preto tubinho com um scarpan nude com sola vermelha, e um lenço cinza ao redor do pescoço para esconder a cicatriz exatamente da cor dos olhos de Simon, que brilharam quando saí do provador, um pequeno rubor cobriu sua face, ele engoliu em seco de forma discreta e cruzou as pernas puxando a blusa.

- Você está linda com esse vestido - disse com a voz grossa em um tom diferente do que eu estava acostumada a ouvir, parecia mais profunda e sexy.

- Realmente, a senhorita ficou incrível com esse vestido - elogiou a vendedora, eu nunca acreditava em uma, mas dessa vez, eu precisei acreditar.

- Vamos levar todos - disse Simon para ela, sem tirar os olhos de mim - Aqui meu cartão, você já sabe o procedimento.

- É claro - disse a mulher saindo com o cartão dele, rebolando um pouquinho além do necessário, mas sem ter conseguido a atenção de Simon.

- Tenho um presente pra você - disse ele.

Ergui a sobrancelha como se dissesse "mais um?"

Ele me entregou uma sacola de loja toda enfeitada, e ao abrir, havia um celular de última geração, olhei alarmada para ele, que só deu ombros.

- Vamos ajudar o meio ambiente e economizar papel, esse celular lê em voz alta o que você escreve, vai te ajudar a conversar com as pessoas e comigo, tem esse aplicativo que vai te ajudar, testa!

Abri o aplicativo e escrevi "você é maluco"

Simon riu e me deu um beliscão de leve na bochecha.

- Tudo para você, pequena - e saiu para buscar as várias sacolas de roupas que ele comprou.

Digitei uma mensagem para ele, enquanto o esperava.

" Por que está me ajudando tanto? Não tenho nada para lhe oferecer, nem tenho como pagar você por tudo isso"

Simon voltou e quando ouviu a mensagem, resmungou.

- Sou seu amigo, e isso que eu gastei hoje, é tão pouco do montante que eu recebo diariamente, então fica tranquila, não estou fazendo caridade ou empréstimo, você não precisa pagar, só aceite meus presentes como forma de te agradecer por ter me deixado cuidar de você.

- Eu não tenho nem onde guardar essas roupas - digitei.

-Ah não seja por isso, enquanto eu estava fora, aluguei um lugar muito legal, você vai amar, e fica tranquila, o aluguel está pago por um ano, e eu também já te arrumei um emprego onde você pode usufruir tranquilamente desse lugar, comprar um carro e ainda vai sobrar dinheiro pra fazer o que você quiser.

-”Como assim?” - digitei.

- Uma das minhas empresas precisa de um gestor, e pelo seu currículo, acredito que você vai conseguir se encaixar muito bem no cargo, e antes que você me pergunte, não, eu não estou fazendo isso só por amizade, precisava de alguém competente e de confiança, vai ter sua própria mesa, na minha sala, para que eu fique de olho em você, e te auxiliar em situações complicadas com os clientes.

"Você é definitivamente maluco, nos conhecemos a poucos dias e você já disse que confia em mim? E se eu fosse uma psicopata? Você não tem jeito mesmo" digitei rapidamente e observei seu rosto enquanto o aplicativo lia em voz alta.

- Se você fosse psicopata, já estaria morto, pois eu apaguei do seu lado e acordei vivo - rui ele - Olha, eu fiz uma busca minuciosa por você, e não vi nada de errado, você confiou em mim também, então estamos quites, agora para de tagarelar e vamos conhecer sua nova casa - disse me empurrando suavemente para dentro do carro, e fechando a porta com um clique suave que encerrou a discussão.

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