O CEO e a secretária silenciada
O CEO e a secretária silenciada
Por: N.c Notari
Epílogo

Jesse se despediu de seus colegas de trabalho no final do expediente, satisfeita com o dia que se encerrava, caminhava tranquila em direção a sua casa, estava a poucas semanas naquele emprego, gostava muito do que fazia, era perto de sua casa, assim não gastaria com condução e sobraria mais dinheiro para si. Cantarolava sozinha enquanto segurava firme sua bolsa e seguia rumo a sua casa, aquela rua que tinha que passar a noite não era muito movimentada, mas sempre lhe dava um arrepio, não gostava daquele lugar, mas era o único onde poderia passar, apressou seu passo e seguiu em frente, no meio do caminho a menina sentiu alguém se aproximando, com o coração batendo forte, segurou com firmeza na alça de sua mochila e rezou silenciosamente para ser algum transeunte solitário também, porém nada poderia ter sido tão diferente do que ela imaginava.

Boa noite Jesse, como vai a bonequinha?

Eu conheço você? - perguntou assustada.

Não, e nem vai - disse ele puxando uma faca, e sem que a menina virasse, ele encostou a faca no pescoço e puxou, a pele dela era tão macia quanto aparentava, era uma pena ter que mata-lá, mas era o trabalho.

O estanho limpou sua faca e saiu caminhando normalmente, como se nada tivesse acontecido, enquanto Jesse agonizava no chão sujo e frio, gorgolejando sangue, sentindo que morreria ali mesmo, sem ninguém, a dor insuportável e a dificuldade para respirar a fizeram desmaiar.

Dentro da inconsciência era tão silencioso, calmo, quente, relaxante, as loucura que agitava a sua cabeça estava silenciosa, como nunca esteve, era incrível porém solitário.

Minha cabeça está solta, parece um balão voando cheio de gás, louco para que a corda que o segura ali se rompa para que possa subir livre, mas então há um puxão firme e começo a voltar para a consciência, sonolenta abro lentamente os olhos, parecem grudados, como se tivesse fechados por muito tempo.

Meu corpo todo está estranho, dolorido, me mexer é dolorido, estico os músculos que parecem em repouso por tempo de mais, minha boca está seca, abro e fecho lentamente para que volte a produção de saliva, acabo sem querer soltando um pequeno gemido ao tentar me mover, e assim que abro os olhos completamente, me deparo com um lugar muito diferente do meu quarto, teto branco com luminárias horríveis, estou em uma cama desconfortável e com um lençol azul por cima do meu corpo que quase não me aquece,há bips contínuos e cheiro de água sanitária, há fios e acesso nos meus braços, eu conheço esse lugar, estou no hospital, mas por quê?

Como se uma torneira se abrisse, lembro do que me trouxe até aqui, alguém tentou me matar degolada, me sento abruptamente quase arrancando os fios que se conectam aos meus braços, minha respiração está acelerada como o inferno, não sei se é susto, pânico ou alívio.

- Calma, você vai arrancar os acessos, e isso dói pra caramba se for retirado assim - disse uma voz masculina ao meu lado.

Olho para o dono da voz e me deparo com um rapaz que aparentemente tem a mesma idade que eu, por volta dos 25 anos, está com olheiras e parece que acabou de acordar, parece cansado como se tivesse passado muito tempo aqui, tem um olhar penetrante e preocupado, de um cinza profundo e bonito, com cílios compridos e escuros, iguais seus cabelos, um meio sorriso e uma bela feição, realmente é um rapaz bonito, tento dizer alguma coisa, mas não sai nada da minha boca, provavelmente pareço um peixe abrindo e fechando a boca sem emitir nenhum som.

- Sinto muito, você deve estar com milhões de perguntas, eu prometo responder todas, sinto lhe dizer, mas você não consegue mais falar, a ferida foi profunda o suficiente para que suas cordas vocais fossem partidas ao meio, por sorte não pegou em sua veia carótida e que eu chegasse a tempo de te ajudar - disse ele com um semblante triste.

Meus olhos começaram a marejar, pisquei e me ajeitei na cama, dei ombros e tentei fingir que não me afetava, mas não adiantou, lágrima após lágrima foram escorrendo no meu rosto, silenciosamente, assim como eu estava, para sempre.

- Eu me chamo Simon, eu que chamei a ambulância e a polícia, eu estava correndo aquela hora, vi você caída no chão, e assim que cheguei tinha muito sangue, meu primeiro instinto foi estancar o sangue e ligar para emergência, não tinha mais ninguém próximo, tentei fazer o perímetro, mas o seu agressor já havia sumido, a polícia já está atrás de quem fez isso com você, aconteceu têm duas semanas se está se perguntando sobre isso, e eu estou aqui todo esse tempo, sinto muito pelo que aconteceu, mas acredito que irão descobrir quem tentou matar você - disse ele se aproximando da cama - você conhece o cara que fez isso?

Balancei negativamente a cabeça, não fazia ideia de quem era, mas tinha outra preocupação, as despesas médicas? Quem pagaria? Pois pelo que eu estava observando, correndo os olhos pelo quarto, não parecia um quarto simples, público, mas sim um quarto particular.

- Está se perguntando sobre o quarto, né? Não se preocupe, é por minha conta, eu não podia deixar você em um hospital qualquer, eu não sei quem você é, mas te vendo daquele jeito como eu te encontrei, não tinha como virar as costas para você, me perdoe se fez parecer alguma coisa errada - disse ele coçando a cabeça.

Segurei suas mãos com delicadeza e dei um pequeno sorriso, tentei dizer obrigada, mas novamente nada saía, demoraria muito para me acostumar, ou talvez nunca acostumasse, mas acredito que meus olhos transmitiam um "obrigada".

- Você tem alguém que queira ligar? Seus pais? Amigos? Namorado? - pediu ele

Fiz que não com a cabeça, eu não tinha mais ninguém, meus pais já haviam falecido, e eu não tinha amigos, estava na cidade há poucas semanas.

- Tudo bem, vou chamar os médicos, acredito que logo lhe darão alta - disse saindo do quarto.

Sozinha solucei silenciosamente, aquilo parecia um pesadelo, tentei gritar mas não saia nada, eu estava perdida, entorpecida, não sabia o que sentir, era a mistura de tudo e nada ao mesmo tempo, tudo parecia dar errado na minha vida, em dois meses eu havia perdido meus pais e agora quase perdi a vida, e por consequência havia perdido a voz, eram coisas demais para digerir.

Notei um vasinho de flor que estava em cima do balcão, rosas amarelas, respirei fundo aquele cheiro delicioso que vinha dela, ao meu lado haviam mais flores, todas rosas amarelas, a minha flor favorita, seria uma coincidência? Apenas peguei uma e cheirei, deixando o tão amado perfume amortecer a dor que havia por dentro.

Logo Simon chegou com o médico, que me fez algumas perguntas de sim e não; eu ainda continuava tentando falar, era uma resposta automática do meu corpo, mas não surtia efeito, ele examinou minha garganta para verificar de tinha alguma infecção ou alteração, e disse que eu precisaria ficar mais alguns dias no hospital, apenas para que tudo estivesse bem para que minha alta hospitalar fosse concedida.

- Acredito que você queira tomar um banho, certo? - perguntou Simon depois que o médico saiu, e logo emendou quando viu a minha cara - não estou dizendo que você esteja fedendo nem nada, mas é que diante de algumas situações, um banho quente me ajuda a relaxar e manter a mente sã, talvez ajude para você - disse envergonhado.

Fiz um aceno positivo com a cabeça e ele saiu procurando uma enfermeira para me auxiliar, ela retirou os acessos, ativou meus músculos da perna, e me ajudou a levantar e ir até o banheiro, me entregou sabonetes e shampoo, de um cheiro delicioso.

-Seu namorado é super atencioso, não saiu do seu lado em momento algum, mandou trazer flores frescas todos os dias, trouxe esses utensílios de higiene, fora que é um gato, você tem muita sorte, menina - disse ela saindo antes que eu sequer processasse a mensagem.

Depois de um banho quente, coloquei de volta aquela roupa horrível, que deixava as costas e afins de fora e voltei ao quarto, Simon estava com uma bandeja de comida que parecia com a famosa sopa de hospital.

- O Doutor Marcelo me passou o que você poderia comer, disse que agora precisa se nutrir e que no início vai ser um pouco difícil engolir, já que foi um pouco profunda a lesão e que demora a cicatrizar internamente, então era para começar com uma sopa, prometo que não é aquela horrível de hospital, eu até experimentei para ver, e está uma delícia.

Ele tinha um cuidado tão grande comigo que meus olhos marejaram novamente, sorri e peguei com cuidado a bandeja com a sopa e dei um pequeno gole do caldo espesso, o cheiro era delicioso, desceu arranhando garganta abaixo, mas o calor do caldo fez com que fosse mais fácil engolir as outras colheradas.

- Viu? Te disse que era gostoso - riu de leve - vou tomar um banho e já volto, eu trouxe um livro para você ler, não sei se te interessa, seu celular não foi achado nos seus pertences, sinto muito.

Dei ombros e sorri, pegando o livro. Era de capa dura e ainda estava na embalagem, tirei-o do plástico, abri as páginas e cheirei aquele satisfatório cheiro de livro novo, era perfeito, agradeci abraçando o livro e ele sorriu com os olhos brilhando.

- Acho que temos uma leitora por aqui, vou deixar você a sós com ele - disse pegando uma toalha do armário que haviam várias roupas e alguns pertences, que eu acreditava ser todos dele, ele parecia preparado para passar o tempo que fosse necessário no hospital com uma estranha.

Uma parte de mim, a parte que aprendeu a desconfiar do mundo naquela rua escura, gritava 'perigo'. Por que um estranho faria tudo isso? O que ele queria em troca? Mas a outra parte, a parte que sentia o calor do cobertor e o cheiro de livro novo, a parte que se sentia segura pela primeira vez em semanas, escolhia confiar. Por enquanto.

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