Início / Romance / O CEO e a Noviça Fugitiva / Capítulo 5 — Sem Escapatória
Capítulo 5 — Sem Escapatória

— Vejo que você está machucada.

Ela virou lentamente.

E o viu.

Alessandro Moretti estava encostado em um carro preto parado à beira da estrada.

Os faróis estavam apagados, mas a luz fraca da lua era suficiente para revelar seu rosto.

Perto dele estavam dois homens.

O assistente pessoal dele — que também dirigia — e outro segurança.

Giulia sentiu o sangue gelar.

Então correu.

Ou pelo menos tentou.

Mas a dor no tornozelo a fez mancar após poucos passos.

Era inútil.

Alessandro observou a tentativa dela com uma expressão quase divertida.

— Entre no carro, Giulia.

O tom era firme.

Ela virou-se novamente para ele.

— Eu não vou entrar em lugar nenhum com o senhor.

Alessandro soltou um pequeno suspiro.

— Sabe…

Ele deu alguns passos na direção dela.

— Você acabou de facilitar muitas coisas para mim.

Os olhos dele se estreitaram levemente.

— Porque eu já suspeitava que não podia confiar em você.

Uma pausa.

O canto da boca dele se ergueu em um sorriso frio.

— Uma vez fugitiva… sempre fugitiva.

Ele inclinou levemente a cabeça.

— Não é mesmo, noviça?

Giulia sentiu a raiva subir.

Mas Alessandro ainda não tinha terminado.

— Mas saiba que seu pequeno plano de fuga acabou me ajudando bastante.

Ela franziu o cenho.

— Como assim?

Ele respondeu com tranquilidade absoluta:

— Porque agora a história fica muito mais simples.

Giulia o encarou.

— Que história?

Ele cruzou os braços.

— A história de que uma noviça resolveu correr atrás do pai de uma aluna.

O coração dela disparou.

— O quê?

Ele continuou, completamente calmo.

— E que vocês dois tiveram uma noite… bastante intensa.

Os olhos dela se arregalaram.

— Eu o quê?

Alessandro deu de ombros.

— É isso que a madre vai saber.

O silêncio caiu pesado entre eles.

Giulia sentiu a raiva e o desespero se misturarem no peito.

Mas ela não podia deixar que ele visse o desespero que começava a crescer dentro dela.

Não diante dele.

Não diante de ninguém.

Ela respirou fundo e ergueu o queixo.

Então deixou um pequeno sorriso irônico aparecer em seus lábios.

— O senhor pode contar essa história para a madre se quiser.

Ela cruzou os braços com calma.

— Mas ela não vai acreditar.

Os olhos dela brilharam com desafio.

— Ela sabe muito bem o quanto eu desprezo o senhor.

Por um breve instante, o silêncio caiu entre eles.

Atrás de Alessandro, o assistente — que também dirigia para ele — desviou o olhar por um momento.

Ele havia escutado tudo.

E não pôde evitar a surpresa.

Nunca tinha visto ninguém falar com Alessandro Moretti daquele jeito.

Muito menos na frente dele.

O canto de sua boca quase se ergueu em um sorriso contido, mas ele rapidamente voltou à expressão neutra.

Alessandro percebeu.

E isso apenas fez sua expressão endurecer um pouco mais.

Ele franziu levemente a testa.

Então deu mais um passo em direção a Giulia.

— Muito bem.

A voz dele saiu mais fria agora.

— Se você prefere assim…

Ele inclinou levemente a cabeça.

— Posso simplesmente entregá-la à polícia.

O sangue de Giulia pareceu congelar.

Ele continuou, como se estivesse comentando algo banal.

— Falsidade ideológica.

Uma pequena pausa.

Os olhos dele se estreitaram.

— E também posso citar o nome de quem ajudou você a fugir da casa dos seus pais.

Ele lançou um rápido olhar na direção do assistente antes de voltar a encará-la.

— Afinal, ajudar alguém a fugir também é crime.

O coração de Giulia deu um salto doloroso.

Seu corpo ficou imóvel.

Ela não tinha medo por si mesma.

Mas não podia…

Não podia envolver quem havia arriscado tudo para ajudá-la.

Por um instante, ela ficou completamente em silêncio.

E Alessandro percebeu imediatamente.

Ele havia encontrado o ponto certo.

Giulia sentiu o peito apertar.

O sangue parecia pulsar alto demais em seus ouvidos.

— O senhor não tem limites.

A voz dela saiu mais alta do que pretendia.

Carregada de indignação.

— Isso é cruel.

Ela deu um passo na direção dele, os olhos brilhando.

— Por que prejudicaria uma pessoa que não tem nada a ver com isso?

Ela apontou rapidamente para o assistente atrás dele.

— Ele só quis me ajudar uma vez.

A respiração dela estava irregular agora.

— Foi no passado. Não tem nada a ver com o senhor.

Os olhos dela voltaram para Alessandro.

— Deixe ele em paz.

Por um instante, o silêncio caiu novamente.

O vento da madrugada soprou entre as árvores.

Mas Alessandro não reagiu como ela esperava.

Ele apenas a observou.

Imóvel.

Frio.

Como se aquelas palavras não o afetassem nem um pouco.

Então falou, com a mesma calma de antes:

— Como eu já disse… eu não negocio para perder.

Ele fez um pequeno gesto em direção ao carro.

— Então…

Uma pequena pausa.

— Entre no carro.

Giulia ficou parada.

O peito subindo e descendo com força.

A dor no tornozelo pulsava.

A estrada escura se estendia atrás dela.

E, pela primeira vez desde que tudo começara, ela sentiu algo que raramente permitia a si mesma sentir.

Impotência.

Porque Alessandro Moretti havia fechado todas as saídas.

E ela sabia disso.

O silêncio da madrugada pareceu engoli-la enquanto permanecia ali, parada entre a fuga e a rendição.

Sem saber qual das duas opções era, na verdade, a pior.

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