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Capítulo 4 — A Aposta e a Herdeira

- Eu quero como garantia o capital da sua empresa, que é o que tem de valioso ainda nela, e se você falhar, bom… vai ter que ver a sua empresa passar para as minhas mãos.

- Minha empresa pela sua filha. É uma aposta bem alta, se eu perder não levo nada.

- Mas se ganhar, conseguirá tudo o que deseja. E o que é o homem além deus desejos mais ocultos.

- Já que isso que tanto deseja, ‘o que apraz ao príncipe vira lei’. Onde eu assino?! É assim que comprarei a sua filha, pagando com a minha própria empresa.

- Sim, e também as suas dívidas de jogo, que se forem contabilizadas, somarão uma enorme fortuna.

- Vamos assinar logo isso, eu não tenho nada a perder.

- Ótimo, mas lembre-se, se você não conseguir executar o plano, perderá a empresa que o seu pai te deixou, e terá que viver com a vergonha de ter levado essa mesma empresa a falência.

- Eu já concordei com os termos, vamos logo ao que interessa.

Jorge pega os papéis que trouxe consigo, o fazendeiro tinha certeza que Lorenzo iria assinar, já que estava desesperado e sendo pressionado por todos os lados.

- Onde eu assino?

- Antes de mais nada, eu quero que você saiba que está comprando uma esposa, e o preço dela será bem caro, tem certeza que quer prosseguir com isso?!

- E eu tenho outra opção, senhor Jorge?! Já que você está me ameaçando, o banco está me cobrando, a minha família está me pressionando, e porque eu estou vivendo um dos piores momentos da minha vida! Me desculpa, mas vou encarar isso como um jogo, e vou me portar como um jogador, que tentará de tudo para ganhar, apostando tudo o que estiver encima da mesa.

- É uma aposta e tanto. Que seja, a sorte está lançada, que o jogo comece e o destino nos mostre quem é o grande vencedor.

- Que assim seja.

Lorenzo assinou os papéis, apostou a última coisa que ainda possuía, sua empresa, que foi herdada, seu nome Bravo está sob aposta. Ele havia comprado uma esposa, será que nesse jogo ele sairia vencedor?!

- Meus parabéns senhor Bravo, você acabou de adquirir uma belíssima esposa, espero que desfrute de seu casamento.

- Não seja irônico senhor Jorge, quando tudo isso acabar, vou te pagar e recuperar a minha empresa, e esquecer que algum dia te conheci!

- Faço das suas, as minhas palavras. A sorte está lançada, que vença o melhor.

- Sim, o melhor jogador.

Diz Lorenzo, que apesar de ter assinado com convicção aqueles contrato, se sentiu estranho ao mesmo tempo, não queria envolver ninguém em seus problemas, mas fazer o quê? Essa foi a solução que se apresentou para ele.

Lorenzo olhou para a janela de seu escritório, passava os dentes através do lábio inferior, um gesto que ele sempre repetia, seu olhar compenetrado havia achado uma solução, uma possibilidade mágica para resolver os seus problemas, e não é isso que todo mundo está tentando fazer no mundo?! Resolver seus problemas e seguir em frente.

Mas seria correto envolver alguém que não tinha nada a ver com aquela situação, alguém que tinha uma vida, e que seria interrompida pela ganância de um homem desesperado, que achava companhia apenas no jogo e nas bebidas.

Carolina Robles não sabia, mas sua vida estava prestes a mudar radicalmente, por um homem que ela ainda nem conhecida, e o nome dele era Lorenzo Bravo.

Carolina voltava mais um dia de sua rotina de trabalho na ‘Fazenda Robles’, a patroa chegava e examinava todos os animais pendentes, organizava as próximas visitas, além de ser super requisitada, já que era vista como a ‘manda chuva’ daquela localidade, faz muito tempo que Carolina Robles deixou de ser a ‘filha do patrão’ e passou a ter autonomia dentro daquela fazenda, primeira mente porque os empregados que ali estavam, gostavam muito da sua pessoa, não se podia dizer o mesmo de Jorge Robles, que nunca despertou a confiança de seus empregados, porque nunca fez questão de tratá-los bem, mas Carolina era diferente, batalhadora e gente boa, era elogiada por 10 entre 10 pessoas que conviviam com ela.

Parecia não haver defeitos naquela mulher tão segura e cheia de si, amava a vida, amava a fazenda, e sobre tudo, amava o peão Rodrigo Aguiar, eles se conheciam há muito tempo, e nunca se desgrudaram, a paixão despertou entre os dois amigos de infância, era difícil de se imaginar alguma coisa que pudesse separar os dois, as pessoas da fazenda achavam que um tinha nascido para o outro, mas o destino as vezes gosta de embaralhar tudo, só para ver como a vida caminha.

- Lurdes, Lurdes! Chamava Carolina, a sua babá de infância, que sempre esteve presente na sua vida.

- Sim, senhorita Carolina!

- Me falaram que você estava me chamando, eu queria saber pra quê?!

- Bom, hoje é noite de lua cheia minha menina, e você sabe como é a tradição!

- Você e suas crenças, já te disse que não acredito em nada disso!

- Menina Carolina, não seja incrédula, lembre-se que a previsão da morte da sua mãe se cumpriu!

- Nem me fale isso, só de lembrar tenho arrepios!

- Então, o que que custa menina Carol! Deixe eu ler a borra do café! Vamos ver o que tem no seu futuro!

- Não é difícil de prever, tem a fazenda, tem você, tem todo esse povo trabalhador, e tem o meu amor, Rodrigo!

- Cuidado menina Carol, as vezes o destino gosta de brincar com a gente!

- Não seja boba Lurdes, tudo vai acontecer como eu te disse!

- Então deixa eu ler a borra, você sabe que eu faço isso há muito tempo, desde o tempo que eu era uma menina, quando a minha avó lia a borra da patroa dela!

- Tudo bem Lurdes, não quero contrariá-la, sabe que eu gosto muito de você! Vou ceder aos seus caprichos!

- Então vamos entrar menina Carol, que se aproxima uma tempestade…

Diz Lurdes misteriosamente… Carolina olha o tempo e diz:

- Mas o dia está ensolarado Lurdes, acho improvável que chova.

- Mas o tempo é como a vida menina Carol, quando se pensa que ela está prestes a ficar ensolarada, vem uma tempestade que não se esperava, e derruba tudo, pra se construir depois, os mistérios e os segredos da vida, quem pode um dia desvendar?!

Carolina entra na cozinha, onde as outras empregadas preparavam o lanche dos peões, todas estavam a espera da previsão de Lurdes para Carolina, todos os meses esse momento era como uma novela, sempre havia uma revelação, Lurdes já havia acertado sobre a morte da mãe da veterinária, e desde lá, todos temem suas ‘leituras da borra do café’.

Gigi, uma das empregadas, fica espantada quando dona Carolina chega a cozinha, ela não gosta muito das previsões de Lurdes, na verdade Gigi morre de medo.

Carolina tenta acalmá-la.

- O que foi Gigi, por que está tão espantada?

- Nada senhorita Carolina, é que eu tenho medo, sabe como sou?!!!

Até que a intrometida Kiki desconversa…

- Não liga pra ela senhorita Carol, eu e a Lindinha estamos loucas para descobrir o que o destino quer dizer!

Lindinha se pronuncia:

- Kiki, não seja inconveniente! Você nem perguntou para a patroa se nós podemos ficar aqui, enquanto a dona Lurdes lê a borra do café. Embora, nós quiséssemos muito!

- Pode ficar Lindinha, Gigi e Kiki, eu não tenho nada para esconder!

Até que Lurdes a interrompe:

- Me desculpe menina Carol, não quero faltar com o respeito! Mas todos nós, e isso não excluí absolutamente ninguém, guarda um segredo dentro do peito! Algo que ninguém sequer imagina, mas que já fizemos e que nos marcou!

- Nossa Lurdes, como você está misteriosa hoje! Mas vamos começar logo com isso!

- Kiki, coloque o café para ferver, vamos ver o que o destino está preparando!

Kiki coloca o bule na boca do fogão, e começa a ferver. Apreensivas, as empregadas assistem ao ritual cuidado feito por Lurdes, que pega uma xícara e dá o café para Carolina Robles tomar, e ela, como sempre, toma com muita cautela, e depois dá a mesma xícara de volta para Lurdes, que ante de pegá-la, olha profundamente o semblante de Carolina, que demostra certa inquietude.

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